22 de outubro de 2017

Cali


Os trajectos na Colômbia entre cidades incluem sempre fantásticas estradas de montanha que, quando o piso está em bom estado, dão enorme gozo de percorrer na Cross Tourer.
A cidade de Cali é famosa pelo Cartel de Cali, o grupo de contrabando de droga que fez concorrência ao de Pablo Escobar de Medellin mas era muito mais bem organizado, com suborno de políticos, juízes, policia, etc.
Chegaram a associar-se a Pablo Escobar, até quando negociaram dividir as cidades americanas entre eles na venda de Cocaína. Ao contrario do cartel de Medellin tinha vários sócios, distribuídos por tarefas especificas. O grupo caiu quando se zangaram com um deles que os denunciou.
Embora não tenha sido aqui que nasceu a Salsa eles são grandes adeptos e, por toda a cidade se houve música a tocar.
Cheguei a Cali pelas três da tarde e fui direito ao centro, de ruas estreitas e movimentadas, com vendedores de bancas nos passeios a atrapalharem o difícil transito. Uma autentica feira. Encontrei um Hotel que não parecia mau e tinha a vantagem de uma garagem onde guardar a moto no meio daquele inferno.
Fui dar um passeio pela cidade e encontrei uma praça com boa arquitectura e uma igreja de portas  com relevos dourados fantásticos.
Passei à porta de um bar de strip que parecia estar animado às quatro da tarde.  Paguei um euro para entrar e deu direito a uma cerveja. Entre pegas e clientes estavam umas trezentas pessoas, todas com muito mau aspecto, a assistirem a um show deprimente, com uma mulher horrível a despir-se. Bebi a minha cerveja pela garrafa, como todos os outros, junto ao bar e voltei para o Hotel.
Quando quis jantar, às oito e meia da noite, os restaurantes já estavam fechados, um horário bastante comum aqui na Colômbia que pelos vistos não foi herdado dos espanhóis. No Hotel arranjaram-me uns panados de batata com carne que, como seria de esperar, estavam maus. Deitei-me pelas onze e meia da noite na esperança que a música que se ouvia aos berros desligasse pouco depois mas passou a meia noite e a algazarra continuava. A sensação era a de que um do altifalantes estava dentro do quarto. Falei para a recepção. O homem disse que iria durar até às três da manhã mas que pediria para colocarem o som mais baixo. O pedido não surtiu qualquer efeito. Tratava-se, soube depois, de uma festa que organizavam todos os fins de semana no sétimo piso de Hotel. Se tenho sabido teria sido preferível juntar-me à festa. A música finalmente calou-se pelas três e meia mas, quando estava quase a adormecer, começaram a bater às portas de quase todos os quartos do piso em que estava para acordarem um grupo de miúdos que deveriam participar num festival desportivo. Um pesadelo.
- Porque não lhes ligaram pelo telefone interno do Hotel?, perguntei na manhã seguinte.
- É que os telefones foram retirados dos quartos deles para que não os utilizassem.
Acabei por dormir três ou quatro horas e levantei-me estafado.

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