16 de agosto de 2016

Taketa - Kyushu




Quando deixei a fabrica da Honda comecei por subir ao monte Aso, por trás da fábrica, por recomendação de um dos japoneses. Lá no alto atravessei um enxame de gafanhotos que batiam com força contra a carenagem e o capacete, felizmente fechado.
Mas a vista lá de cima compensou. Fabulosa, com um raio de 180º sobre um imenso vale que parece ter resultado da erosão sobre uma ou várias crateras de vulcão. Fiquei um bom quarto de hora parado, no alto, a respirar aquela vista.
Arranquei depois rumo a oriente, atravessando esta ilha Kyushu para a costa oposta. A princípio, ainda perto da fabrica, apanhei algumas estradas cortadas e outras em reparação, por terem caído com o tremor de terra, mas uns quilómetros à frente já estava a percorrer fantásticas estradas de montanha com pouco transito e sem policia. Um gozo.
Pelas cinco da tarde pensei em encontrar um hotel onde ficar mas não via nenhum. Até que apanhei um posto de informações. A senhora gorda, com a cara tapada por uma destas mascaras de papel, como se vê aqui bastante, indicou-me um hotel demasiado caro para o meu orçamento pois os na casa dos 50 euros estavam esgotados. Pedi-lhe que procurasse mais barato e o disponível era uma pequena pensão.
-Boa! Quanto custa?
-15 euros pelo quarto mais cinco pela cama.
-Mas alugam o quarto sem cama?
-(a rir-se)Não sei. É o que vem aqui.
-Tudo bem. Então reserve um quarto e uma cama. Tudo à grande.
Quando lá cheguei uma simpática senhora que não falava uma palavra de inglês, como todas as outras por aqui, esperava-me cá fora não fosse eu não ver a pensão na estrada. Indicou-me o quarto, do tipo japonês, ou seja, vazio.
Tinha uma espécie de edredon no chão que fazia de colchão, com lençóis lavados. Pedi mais dois para colocar debaixo daquele e instalei-me. Quando perguntei onde podia jantar, tudo por gestos, estou perito em mímica, a senhora fez uma careta e ligou para o único restaurante da aldeia. Estava fechado por ser segunda.
Pensou um pouco e decidiu ligar a um vizinho para que me desse de jantar. Deve se hábito porque o vizinho prontificou-se logo a cozinhar-me jantar. Ainda pelo telefone perguntou-me o que queria e como “curry” foi a única palavra que percebi foi o que escolhi. Combinei estar em casa do vizinho às oito.
Lá estava ele ao fogão a acabar de cozer o arroz e um lugar posto para mim na mesa. Arranjou-me uma cerveja que aqui já aprendi chamam “Biko”. Tinha acrescentado uns panados de porco à ementa com medo que eu não me alimentasse só com o Curry e no fim cobrou-me 9 euros pela refeição. Fantástico.
Dormi bem mas no dia anterior tinha dado um jeito nas costas e naquela manhã, talvez pela estrutura da “cama”, estava pior. Vi-me aflito para me levantar mas tomei uma aspirina, o único remédio que viaja comigo para além de betadine para as feridas, mordidas de insecto, etc., e lá consegui pôr-me de pé. Fui a uma mercearia comprar um iogurte e pão para o pequeno almoço e parti, pelas dez da manhã, visitar, de barco a remos, umas cascatas sobre um pequeno rio.
Estive por lá cerca de hora e meia e segui viagem por estas estradas de montanha fantásticas da ilha de Kyushu.  

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