11 de fevereiro de 2014

Moreh




Estou aqui há três dias mas ontem à tarde, finalmente, recebi um mail de um ministério na Birmânia a dizer que o meu guia, que eles me obrigaram a ter para atravessar o país, chegará aqui à fronteira amanhã de manhã.
Está um tempo fantástico, com sol e perto de 30º durante o dia e cerca de 15º à noite. Depois de tomar um pequeno almoço de uma espécie de pão frito e chá com leite numa tasca ao lado, passo os dias a ler numa cadeira à porta do Hotel.
Duas vezes por dia, quando a eletricidade chega à cidade e coincide com o funcionamento da rede de internet, o homem do Internet café do outro lado da rua chama-me e lá vou eu navegar durante cerca de uma hora.
Ouvem-se geradores a funcionar e militares, com capacetes, fatos camuflados, coletes à prova de bala e armados até aos dentes, patrulham constantemente a cidade.
Temos a sensação de estar num local de guerra. Há quinze dias fizeram rebentar várias bombas no centro da vila, felizmente sem vítimas, mas as forças de segurança andam visivelmente nervosas. Dentro de dois dias é o dia da República Indiano e esperam-se perturbações. A senhora do Restaurante conta-me que o seu tio vive “underground” e disse-lhe que, se eu voltasse para trás só podia deixar a vila dentro de três dias. Antes disso seria muito perigoso. Senti-me um pouco encurralado mas a pensar que fugiria para Myanmar mesmo a tempo.
Polícia e militares estranham este forasteiro por ali. Primeiro veio o chefe de polícia ter comigo, à paisana, a pedir-me o passaporte. Quando hesitei mostrou-me o seu cartão da polícia. Foi tirar fotocópias ao passaporte e convidou-me a tomar chá na tasca ao lado. Explicou-me que há muitos problemas na zona com os grupos independentistas e pediu-me compreensão pelo controlo.
Tinha-me tornado mais suspeito quando um conhecido membro da oposição local veio ter comigo para me convidar a assistir a um comício que haveria no dia seguinte. Prometeu-me a zona VIP e que teria direito a almoço. Gostava muito que eu fosse. Disse-lhe que não me queria envolver em política mas foi à loja de computadores fazer fotocópias do seu programa político e veio entregar-mas.
Ontem fui com uma das miúdas do restaurante em frente à pendura na moto a uma parte mais recôndita da vila, com ruas estreitas de lama, à procura de uma loja onde pudesse encontrar um carregador para o computador que perdi.
Os militares estranharam ver-me naquela parte da cidade e hoje, quando estava a jantar no restaurante da miúda, onde através das frechas abertas no piso de madeira vemos ratos a passearem alegremente, entraram pela barraca dentro, de metralhadoras em riste. Dois deles ficaram junto à minha mesa e outros dois, sem dizerem uma palavra, passaram para a cozinha e foram espiar as traseiras. Só quando regressaram me perguntaram o que fazia em Moreh e me pediram o Passaporte. Quando o fui buscar ao Hotel, do outro lado da rua, seguiram-me e, à porta do quarto, perguntaram-me se transportava armas ou substância ilícitas.
A mulher do homem dos computadores diz-me que já têm vindo aqui estrangeiros, de moto ou de carro, tentarem passar para Myanmar mas acabam sempre por não conseguir a famigerada autorização e voltam para trás. Uma mulher de um dos ministérios com quem falei ao telefone também me pediu que compreendesse a burocracia porque era a primeira vez que deixavam um veículo estrangeiro atravessar o país.
Hoje fui questionado por um polícia de outra corporação. Com óculos escuros, bigode e ar de “playboy”, uma imagem certamente influenciada por séries policiais americanas, disse-me pertencer a uma “espécie de NYSF”.
-NYSF ? perguntei eu. O que é isso?
New York Special Forces, respondeu ele.

10 de fevereiro de 2014

Manipur




Entrei em Manipur pelas 10,30 da manhã. Eles têm uma espécie de posto fronteiriço mas, tal como tinha feito em Nagaland, no dia anterior, nos dois ou três “check points” por onde passei, apanhei os guardas distraídos e, antes que tivessem tempo de me mandar parar ... ala que se faz tarde. O problema é que por vezes ficam a fazer-nos interrogatórios durante horas e corria até o risco de me mandarem para trás.
Esta província Indiana no extremo oriental do país, cuja capital é Imphal, tem mais de 2,5 milhões de habitantes que falam, uma língua própria, o manipuri. A população é formada por uma enorme variedade de tribos, todas elas com traços fisiológicos mais orientais que indianos.
Há décadas que vários grupos pedem que a província se torne independente da república Indiana. Um dos problemas é que cada grupo pretende instalar o seu regime que a maior parte das vezes não coincide com o dos adversários.
O ambiente é tenso.
Na estrada até Imphal, os jipes que passam por mim ostentam quase todos enormes bandeiras de diferentes partidos, todos eles contra a presença indiana em Manipur. Tinham-me avisado para não fazer esta estrada de noite, de forma nenhuma, pois há muitos assaltos por homens armados.
A estrada é de montanha, esburacada, e volta a ter partes que não estão alcatroadas de maneira que as médias são muito baixas. Para chegar a Moreh, a vila fronteiriça, antes de anoitecer, não podia perder muito tempo com os “check points” mas, a partir de Imphal foi impossível evitá-los. Ainda passei o primeiro à “sucapa” mas dois ou três quilómetros depois militares mandaram-me parar no meio da serra. Tinham sido informados que eu passara o “check point” sem parar. Foram simpáticos, recomendaram que parasse nos próximos e mandaram-me seguir. A partir daí fui mandado parar mais umas três ou quatro vezes e, de cada uma, pediram-me passaporte, verificaram vistos e revistaram a bagagem. Nesta estrada de Imphal até à fronteira, muito controlada por militares indianos, já não aparecem as bandeiras nos jipes. Vemos antes carros e camiões carregados com mercadoria trazida de Myanmar a arrastarem-se nas subidas e a deixarem um rasto de cheiro a Ferodo queimado nas descidas. As transmissões  são um dos órgãos que sofre nas subidas acentuadas devido ao peso que levam e passei por um camião ao qual já tinham desmontado o diferencial, pousado no alcatrão, com os passageiros a esperarem calmamente na berma da estrada que a reparação ficasse concluída.
Cheguei a Moreh pelas quatro e meia da tarde, escapando a noite por meia hora. É uma vila pobre, com a maioria das casas em madeira com telhados de zinco muito degradadas. Fui até à fronteira mas tinha fechado às quatro. Recomendaram-me o único Hotel em que os quartos tinham casa de banho, mesmo sendo do estilo sujo a que estou habituado.
Jantei numa tasca em frente do Hotel a habitual galinha com arroz e deitei-me cedo porque aqui, ao contrário do que acontece no resto da Índia, fecha tudo às oito da noite.
No dia seguinte, pelas 8,30 da manhã estava na parte indiana da fronteira. O oficial de serviço informou-me que, mesmo eu tendo o visto para Myanmar, não me carimbavam o passaporte para sair da Índia sem autorização dos Birmaneses. Fui então à pendura numa pequena moto com um empregado da alfandega até ao outro lado da fronteira falar com o oficial de serviço. Antes de atravessar a estreita ponte sobre o rio que aqui separa os dois países, o homem passou do lado esquerdo para o lado direito da estrada e só então soube que iria voltar a circular pela direita, depois de andar do lado “errado” desde que entrei no Irão, cinco países atrás.
O oficial Birmanês disse não ter autorização para que eu entrasse de maneira que tive que regressar à vila  e tentar enviar um mail para o meu contacto em Myanmar.
Voltei a instalar-me no Hotel onde, do outro lado da rua, numa barraca podre, havia uma espécie de Internet Café que funcionava durante as poucas horas em que havia eletricidade no local.

6 de fevereiro de 2014

Nagaon




Os meus amigos da noite anterior tinha-me aconselhado, a caminho da próxima província, a visitar uma reserva de animais que havia a uns cem quilómetros dali na direção que eu deveria seguir mas, como representava um percurso maior e eu queria chegar perto da fronteira do estado de Manipur nesse dia, decidi não fazer essa escala e seguir o caminho mais curto.
A razão é que, naquela zona, a província de Manipur, talvez por ser a mais afastada da verdadeira Índia e junto à mais oriental Myanmar, é onde tem havido mais problemas. Ali já não se vêm quase nenhuns Indianos, como os conhecemos, e os partidos independentistas criam muitos conflitos com as autoridades, com bombas em redor da capital do distrito, além de assaltos nas estradas  por homens armados, às vezes a todos os passageiros de autocarros. Contam-me que, por vezes, depois de assaltarem os passageiros, passam recibos como “colaborações para a causa revolucionária”. Por tudo isso, para passar mais despercebido, achei que seria melhor ficar a dormir numa cidade antes de entrar na província, para depois a atravessar de uma só vez, com o menos paragens possíveis, para que não dessem muito pela minha presença.
Ali não se brinca às guerras e raptarem um turista ocidental pode ser uma boa forma de alertar o mundo para a sua causa.
A estrada a caminho de Kohima, a cidade perto da fronteira com a província de Manipur, era primeiro uma auto estrada de bom piso para depois passar para uns 150 Km de serra em piso razoável e a acabar em cem quilómetros muito difíceis, com parte do percurso com zonas de terra batida em muito mau estado. Quando estava a uns 30 Km da cidade, numa estrada de terra com muita pedra solta acabei por cair. Não rodava a mais de 40 Km/h e mais uma vez não me magoei mas voltei a partir a maneta de embraiagem e a mala esquerda ficou entalada numa posição em que roçava no pneu. Dois homens que seguiam numa camioneta de transporte de vacas pararam para me ajudar a levantar a moto e arranquei, com a maneta reduzida a um terço até uma bomba de gasolina dois ou três quilómetros à frente. Ali tentei soltar a mala da posição em que ficara, sem sucesso. Ficou entretanto noite e tive que arrancar para a cidade. Um homem equipado a rigor numa impecável Royal Enfield recomendou-me que atestasse ali o depósito pois a gasolina em Manipur é muitas vezes adulterada. Assim o fiz e arranquei noite dentro pela esburacada estrada de montanha, com a mala a roçar no pneu. Às tantas comecei a sentir a moto a fugir muito e pensei que tinha um furo. Parei para verificar mas o pneu estava bom. Só quando voltei a partir reparei que ao longo da estrada estava um risco de gasóleo com uns dois metros de largura. Arranquei evitando o mais possível pisá-lo para, uns quilómetros à frente, encontrar a origem do problema: um camião auto tanque espalhava litros e litros de gasóleo que saíam pela parte superior do tanque.
Finalmente chegado ao Hotel pedi um pé de cabra com o qual consegui soltar a mala da posição em que estava e que levou a que o pneu tivesse aberto um buraco no alumínio. Para além disso troquei a maneta de embraiagem por uma com a ponta soldada, proveniente de uma reparação feita na Índia.

3 de fevereiro de 2014

Raiganj




Arranquei por volta das nove e meia da manhã. Em vez da neve que o cônsul temia, a temperatura rondava aqui no Norte os 25 a 30º centígrados. Tinha colocado todos os forros interiores do blusão e calças e por isso o problema foi mais calor que frio.
Perto das duas da tarde, depois de enfrentar um enorme engarrafamento de centenas de camiões que blocavam totalmente uma estrada em construção, vi um restaurante com um aspecto mais limpo que o habitual na Índia e resolvi parar para almoçar. O dono ligou para um amigo que falava inglês para que eu pudesse, pelo telefone, explicar-lhe o que queria almoçar. Contou-lhe antes que eu vinha numa enorme moto e o amigo, que tinha começado a organizar passeios na região para Royal Enfields, veio rapidamente ter ao restaurante. Conversa puxa conversa e convenceu-me a ficar essa noite em casa dele para antes irmos visitar algumas das plantações de xá da região. Estava em Bongaigaon, na província de Assam, um dos maiores produtores mundiais da planta, chegando a controlar, num passado relativamente recente, mais de 30% do mercado.
Depois do excelente almoço, que incluiu uma cerveja que foram buscar a uma loja de bebidas, fomos visitar uma das famosas plantações de xá. Enquanto passeávamos junto ao espetacular tapete verde elevado cerca de um metro do solo, encontramos um grupo de crianças, caçadores de arco e flecha. Três deles pousaram para a fotografia com as presas do dia que incluíam um coelho, dois castores, duas ou três aves e um rato, tudo comestível, depois de cozinhado pelas respectivas mães.
Passamos depois em casa deste meu amigo Subham onde tomei um duche e conheci a sua fantástica mãe, uma senhora da casta Brahma, com imensa pinta, que embora esteja com Alzheimer, me recebeu de forma extraordinária. Mandou preparar um xá para mim e o filho e fez-me várias perguntas, algumas vezes repetindo-se, como é típico da doença. Foi professora de Filosofia e, pelo seu ar imponente e calma de espírito, não tenho duvidas que excelente. Partimos então, eu e o Subham, para o seu escritório, onde consegui ir à internet e carregar o computador. Pelas oito da noite voltamos à esplanada do restaurante onde tinha estado a almoçar mas desta vez jantámos num pátio das traseiras onde acenderam uma agradável fogueira e ficámos nos copos e à conversa com mais dois amigos noite dentro.
No dia seguinte o Subham acompanhou-me os primeiros duzentos quilómetros na sua Yamaha 150 até à cidade de Guwahati, capital da província, onde ele tinha um casamento essa noite. Em vez de viajarmos pela estrada principal em que eu vinha até ali, apanhámos uma paralela, do lado sul do rio Brahmaputra, que atravessa uma floresta luxuriante onde o próprio Subham decidia parar de vez em quando para tirar mais uma ou outra fotografia. Pelo meio almoçámos num restaurante onde ele costuma ir quando faz esta viagem em que lhe arranjam cerveja, embora desta vez o camião que a transporta tivesse tido um acidente, deixando a aldeia à sede.
Despedi-me do Subham à saída de Guwahati e segui até Nagaon, primeiro por uma estrada com bom piso e mais tarde por uma zona montanhosa com o piso cada vez mais degradado à medida que avançava.
Ao andar para Oriente, nesta parte recôndita da Índia, a população, como uma espécie de “dégradé”, vai passando de traços de Indhu para orientais. Não que se misturem, porque praticamente não acontece, mas vão havendo cada vez menos pessoas com o aspecto tipicamente Indiano e mais com aspecto oriental. Segundo o Subham, na cidade dele já só metade da população é Indhu sendo a outra metade Muçulmano, com uma pequena percentagem de católicos.
Chegado a Nagaon, onde nunca aparece um ocidental, um miúdo numa moto a quem perguntei onde havia um bom Hotel disse para o seguir e guiou-me até ao Hotel menos mau da cidade. Despedi-me dele mas, passada meia hora apareceu a bater-me à porta do quarto com mais dois amigos. Queriam apenas conversar com este estrangeiro que teria coisas novas para lhes contar numa cidade onde pouco se deve passar. Disse-lhes que esperassem lá em baixo que depois de um duche iria beber um copo com eles. Fomos até um “resort” que eles conheciam onde bebi uma cerveja e jantámos umas batatas fritas aos palitos, feitas na altura, por acaso excelentes, para variar de arroz. Eles, sendo muçulmanos, não passaram da água. Ficámos à conversa durante mais de duas horas e no fim, um deles disse: “esta noite será inesquecível”.
No dia seguinte de manhã fui num “rickshaw” à procura de um “internet café” que acabei por não encontrar e, quando saía do “rickshaw” de volta ao Hotel uma mulher, certamente em resposta à pergunta de uma filha dos seus doze anos de quem seria esta espécie rara de homem disse: “He’s a Holly Man”.  

1 de fevereiro de 2014

Hilli 2



 Chegado a Hilli fui recebido como se fosse o filho pródigo que regressa a casa. O pequeno “Tiger”, o anão da alfândega, emocionou-se e a menina que limpa os quartos do Hotel não parava de cantar. O gerente, que tinha fechado a porta do quarto com um cadeado novo quando eu parti, dois meses antes, para que me certificasse que ninguém mexeria nas malas que ali deixei, veio abrir a porta com pompa, como quem abre um velho cofre com a porta presa por falta de uso. O  quarto estava coberto com uma camada espessa de pó que entrara pelas enormes frechas das janelas. Deu ordem aos empregados para o limparem e eu pedi que me trocassem também os lençóis.
Fui direito aos escritórios da alfandega anunciar a minha chegada e dizer-lhes que ainda haveria esperança de, no dia seguinte, chegar a autorização que o cônsul finalmente parecia estar a tratar, para entrar com a moto no Bangladesh.
O cônsul honorário de Portugal no Bangladesh é um empresário de sucesso local que tem mais que fazer que tratar dos problemas dos portugueses mas, quando soube que eu estava disposto a arrancar, dando a volta ao Bangladesh pelo Norte, logo no dia seguinte caso não chegasse a autorização para atravessar o país, foi rapidamente falar com um ministro amigo dele pois disseram-lhe que, no Norte da Índia não só teria que enfrentar estradas cobertas de neve e gelo como seria obrigado a atravessar zonas de conflito armado. E, caso houvesse problemas comigo nessa zona, ele tinha medo de ser responsabilizado por não me ter conseguido a autorização.
Só que, as ações dele foram tardias e a burocracia do país não permitia que eu tivesse o papel na mão nas 24 horas seguintes. De maneira que, no dia seguinte arranquei de volta à Índia rumo às terríveis estradas do Norte que já me tinham “levado ao tapete”, para contornar o Bangladesh e entrar em Myanmar pela fronteira com a Índia, se é que podemos chamar Índia àquela zona, reclamada por vários grupos revolucionários.
Depois do processo de passar a fronteira em que, do lado do Bangladesh inclui um dos empregados da Alfandega deslocar-se ao banco local de “rickshaw”, na outra ponta da vila, para aí depositar os 3 euros da minha taxa de saída e, do lado Indiano, um complicado estudo do meu “carnet” que requer a presença do chefe e mais três empregados para ser preenchido, consegui fazer uma centena de quilómetros antes de anoitecer.
Nessa zona ainda apanhei estradas razoáveis, com transito moderado, fora das vilas e cidades, porque esse é sempre caótico. Fiquei a dormir em Raiganj.
No dia seguinte continuei rumo a Norte desta vez pelas assustadoras estradas esburacadas e repletas de camiões que já conhecia.
Depois de Siliguri seguiram-se uns quilómetros de uma autoestrada típica Indiana em que apanhei a circular no sentido correto, ou no inverso, indiscriminadamente, bicicletas com meninas a vir da escola, um carro de mão com enormes troncos de árvore em cima puxado por um homem, uma série de “rickshaws” a pedais ou motorizados, um homem de bicicleta a circular em sentido contrário no meio da via com a mulher e a filha bébé à pendura, um camelo a galope atrás do qual corriam dois miúdos agarrados a uma corda que servia de rédea, vários tratores agrícolas, vacas, cães, ovelhas, cabras e tudo o mais que possamos imaginar.
A partir de Maynaguri a situação melhora um pouco mas sem encontrar onde ficar quando anoiteceu acabei por ter que fazer umas dezenas de quilómetros de noite o que ali é o próprio inferno pois só as motos e os poucos carros que circulam têm faróis dignos desse nome. Bicicletas, tratores e “rickshaws” simplesmente não os têm e os dos camiões se funcionam à frente não acendem atrás ou vice versa.
Finalmente encontrei outro daqueles hotéis de meia dúzia de euros por noite a que já me habituei, 40 Km antes de Alipurduar, onde tinha planeado ficar.