- Mas isso aqui é normal?
- Sim. É limpeza de gente indesejável. Tem que ser
- E a policia não faz nada?
- Não. Já sabem que tem que ser.
Penso que nestas aldeias, longe da civilização, nem há tribunais e para a
polícia é um problema levar prisioneiros para serem julgados nas cidades
maiores, já ligadas por estrada ao resto do país.
Dois dias depois foi um grupo de emigrantes ilegais que matou o “passador”
numa casa da montanha, por ele lhes ter roubado dinheiro.
- Claro. Aqui ninguém rouba nada, principalmente a turistas, porque sabem
que são mortos e o corpo atirado aos peixes. Os turistas são o ganha pão da cidade.
- Quando lhe disse que achava muito tempo vinte anos por traficar droga respondeu com um ar orgulhoso:
- É que eu pertencia ao Cartel de Cali.
Foi ele quem me apresentou o comandante do barco que nos havia de levar, a
nós e às motos, até à cidade de Turbo. Pelas três da tarde foi chamar-me ao
Hostel para trazermos as motos para o Porto mas, quando lá chegámos o barco
ainda estava a descarregar e acabámos por passar a tarde no porto e só embarcar
as motos pelas oito da noite.
Navegámos noite dentro, estendendo os colchões de campismo e sacos cama no
estrado de carga, junto às motos, onde adormecemos. Fomos acordados pela
tripulação às duas da manhã. Tinham encostado o barco a um cais e disseram-nos
que teríamos que desembarcar ali porque o barco, sem cais livre onde poder atracar
durante a noite, ia ficar ancorado ao largo.
- E não podemos dormir no barco e descarregar as motos de manhã?,
perguntei.
- Não, respondeu o capitão. Têm que sair aqui, agora. E arranquem já para
uma bomba de gasolina que há aí quinhentos metros à frente porque esta zona do
porto à noite é muito perigosa.
Ensonados lá arrancamos até à bomba e conseguimos que nos abrissem a porta de
um pequeno Hotel que havia do outro lado da rua, onde ficámos.
Eu admiro-me é o Francisco ainda conseguir dormir...
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