12 de outubro de 2017
Medellin
9 de outubro de 2017
Nuevo Pueblo
- “Pois. Claro”, sem perceber patavina.
Segui no dia seguinte para Medellin e, como calculei que só chegaria ao fim
do dia, marquei um Hotel decente por uma noite para variar daqueles onde tenho
ficado.
8 de outubro de 2017
Cartagena
Valeu a pena fazer estes 2000 Km de ida a e volta a Cartagena não só pelo
trajetco em si, que também me permitiu conhecer melhor a Colômbia profunda, mas
por ficar a conhecer esta Cartagena das Índias, a velha cidade dentro das
muralhas.
5 de outubro de 2017
Rumo ao Norte - Curomani
No dia seguinte continuei o meu trajecto para Norte. Apanhei uma das
estradas principais que atravessam o país de Norte a Sul. A maioria do trajecto
tem só uma faixa em cada sentido com traços contínuos que parecem ter sido
colocados à sorte e que ninguém cumpre. Por vezes, pequenos troços com
separador central e duas faixas para cada lado que não têm mais de três ou
quarto quilómetros. Em todo o caso há várias portagens pelo caminho mas onde as
motos têm reservada uma passagem estreita, do lado direito, em que não pagam.
Parei para almoçar numa barraca de berma de estrada, que não tinha gás ou
electricidade e pedi até para tirar uma fotografia à simpática dona da casa, de
enorme colher de pau na mão, na cozinha junto às panelas que aqueciam por cima
de lenha a arder. Pelas três e meia da tarde cheguei à vila de Curomani e,
cansado, decidi por ali ficar. Aproveitei ser cedo para procurar um sítio onde
me pudessem sacar um parafuso que se tinha partido há tempo no quadro e
segurava o suporte da bomba de travão traseira
e da mala esquerda. Dois rapazes com um telheiro de madeira à borda da estrada
onde faziam desde bate chapa a reparação de furos de camiões, trataram do
problema eficazmente e conseguiram mesmo um parafuso novo numa loja da aldeia.
Na manhã seguinte continuei a rodar para Norte sempre através de estradas abertas no meio da vegetação.
Tinha previsto seguir mais junto à fronteira com a Venezuela mas os rapazes
que me repararam a moto desaconselharam vivamente esse trajecto em que as
estradas eram más e havia muita bandidagem.2 de outubro de 2017
Bogotá
Tive a sorte de ir parar ao único na Colômbia que vendia motos de grande
cilindrada e, embora fosse muito pequeno, tinha uma “Cross Tourer” nova em
exposição e uma Africa Twin. Mais surpreendido fiquei quando me deram à escolha
duas marcas de pneus que tinham em “stock” para as medidas da minha moto.
Deixaram-me ser eu a trabalhar na moto e aproveitei para mudar velas, uma
operação que já não fazia há tempo porque tem muita mão de obra, principalmente
para substituir as dos cilindros da frente que obrigam a retirar o depósito de gasolina
e a caixa do filtro de ar que tem três
tubos ligados e serve de suporte a várias fichas eléctricas.
16 de maio de 2017
Mutatá
Fomos tomar o pequeno almoço a uma pastelaria onde tinham um pão de queijo
excelente, passámos numa máquina multibanco a levantar dinheiro, que não havia
em Capurganá e estávamos os dois sem um tostão, e fomos até à alfândega, dentro
de uma base militar onde se chegava através de uma estrada de terra, tratar da
importação temporária das motos.
Aí despedimo-nos pois o Ryan seguia para Cartagena e eu para Sul, a caminho
de Medellin e Bogotá, onde iria deixar a moto antes de partir para Portugal.
Como só me despachei da alfândega às três da tarde fiz apenas cento e
cinquenta quilómetros e, antes de anoitecer, instalei-me no único Hotel que havia
na pequena vila de Mutatá. Não era mau e a diária foi o equivalente a 9 euros.
Aqui a vida é barata. Contratei uma miúda muito gira que deambulava pelo
bar do Hotel pelo equivalente a 15 euros para passar umas horas comigo e, como
ainda bebemos um par de cervejas antes e depois, acabei por me deitar só à uma
e meia da manhã.
- Porque falas tão bem espanhol?
- Porque em miúdo costumava ir muitas vezes a Espanha, com os meus pais.
- Ai em Espanha falam espanhol?
A estrada até Bogotá é linda, a maior parte através de montanhas com muita
vegetação, e dá imenso gozo fazer. Embora na sua maioria seja uma estrada de
via única em cada sentido, tem portagens, mas as motos na Colômbia, felizmente,
estão isentas.
Desde o dia anterior que vinha a sentir a moto a abanar em curva mais que o
norma e pensei que seriam os parafusos que seguram a parte de trás do quadro
que tinham voltado a ceder mas acabei por verificar, numa bomba de gasolina,
que era simplesmente o pneu traseiro que tinha perdido pressão. Vou ter que os
substituir no meu regresso à Colômbia.
Fiquei dois dias bem instalado em casa do simpático embaixador português,
que me levou a mim e outro convidado que lá tinha, a visitar a cidade, além de
organizar um jantar com portugueses que por lá vivem.
A moto ficou guardada em casa do embaixador, quando parti de avião para
Portugal.
No final de Setembro regresso para percorrer a América do Sul.
13 de maio de 2017
Capurganá - Colômbia
- Mas isso aqui é normal?
- Sim. É limpeza de gente indesejável. Tem que ser
- E a policia não faz nada?
- Não. Já sabem que tem que ser.
Penso que nestas aldeias, longe da civilização, nem há tribunais e para a
polícia é um problema levar prisioneiros para serem julgados nas cidades
maiores, já ligadas por estrada ao resto do país.
Dois dias depois foi um grupo de emigrantes ilegais que matou o “passador”
numa casa da montanha, por ele lhes ter roubado dinheiro.
- Claro. Aqui ninguém rouba nada, principalmente a turistas, porque sabem
que são mortos e o corpo atirado aos peixes. Os turistas são o ganha pão da cidade.
- Quando lhe disse que achava muito tempo vinte anos por traficar droga respondeu com um ar orgulhoso:
- É que eu pertencia ao Cartel de Cali.
Foi ele quem me apresentou o comandante do barco que nos havia de levar, a
nós e às motos, até à cidade de Turbo. Pelas três da tarde foi chamar-me ao
Hostel para trazermos as motos para o Porto mas, quando lá chegámos o barco
ainda estava a descarregar e acabámos por passar a tarde no porto e só embarcar
as motos pelas oito da noite.
Navegámos noite dentro, estendendo os colchões de campismo e sacos cama no
estrado de carga, junto às motos, onde adormecemos. Fomos acordados pela
tripulação às duas da manhã. Tinham encostado o barco a um cais e disseram-nos
que teríamos que desembarcar ali porque o barco, sem cais livre onde poder atracar
durante a noite, ia ficar ancorado ao largo.
- E não podemos dormir no barco e descarregar as motos de manhã?,
perguntei.
- Não, respondeu o capitão. Têm que sair aqui, agora. E arranquem já para
uma bomba de gasolina que há aí quinhentos metros à frente porque esta zona do
porto à noite é muito perigosa.
Ensonados lá arrancamos até à bomba e conseguimos que nos abrissem a porta de
um pequeno Hotel que havia do outro lado da rua, onde ficámos.
Subscrever:
Mensagens (Atom)