12 de outubro de 2014

Hua Hin



No Domingo, depois de passar numa estação de serviço a dar uma lavagem à moto, já sem a companhia da Maria, fui tratar de mudar os retentores da suspensão da frente da “Cross Tourer” e substituir um parafuso dum suporte da peseira de trás esquerda e depósito de bomba do travão traseiro, que se tinha partido,
Como referi há dias a fuga de óleo na suspensão da frente ainda era causa das terríveis estradas que apanhei no norte da Índia e na Birmânia mas como não tinha cá os retentores acabei por fazer a volta à Tailândia com a minha filha a perder óleo da suspensão.
Para a operação fui ter com os tipos da “Big Wing”, que só vendem Hondas de alta cilindrada e têm instalações que fazem inveja à maioria das europeias.
De início disseram-me que só reparavam motos vendidas por eles mas, enquanto eu bebia um sumo e um bolo no bar que ali tinham, reconsideraram e o gerente veio dizer-me que, como caso excepcional, aceitavam fazer o trabalho na minha moto.
O problema é que não sabiam como e, depois de verificar que a desmontagem das bainhas de suspensão estava a demorar muito, fui lá dentro ver o que se passava. Dois mecânicos olhavam para as instruções do fabricante  e para uma das suspensões, meio desmontada, sem saberem como prosseguir o trabalho.
Como eu tinha feito um mini curso de como substituir os retentores da suspensão na Honda em Portugal e já tinha feito o trabalho uma vez na Índia, acabei por fazer de professor de mecânica. Mais dois mecânicos juntaram-se à obra e os quatro, seguindo as minhas instruções, lá desmontaram a suspensão e substituíram os retentores, colocando depois óleo novo no sistema. Foi uma aula de que não mais se esquecem.
Como as estradas na Tailândia são de bom piso e a maioria dos clientes acabam por fazer poucos quilómetros (só vi motos de maior cilindrada em Bangkok) eles nunca tinham tido que substituir uns retentores de suspensão.
Encontrei um Hotel onde fiquei a cem metros da “Big Wing” e, no dia seguinte, arranquei rumo a sul, a caminho da Malásia.
Nesse dia tive a sensação que andei quase sempre dois ou três quilómetros atrás da chuva porque, na maior parte do percurso, a estrada ainda estava molhada mas já não chovia. A sorte não podia durar sempre e, quando estava próximo de Hua Hin apanhei uma boa dose de água em cima. Como eram quatro e meia da tarde resolvi ficar por ali.
Hua Hin, tal como a vizinha Cha Am é uma vila costeira onde muitos dos habitantes de Bangkok vêm passar férias, mas sem grande graça. Aquela parte da Tailândia é das raras que não tem muita vegetação e a vila em si não é atrativa. Instalei-me num Hotel no centro da vila e, pelas oito e meia da noite fui à procura de um restaurante para jantar. Atravessei a rua e encontrei um bar/restaurante com bom aspecto. O dono, um Inglês dos seus sessenta e poucos anos, rabo de cavalo e barriga a condizer, veio receber-me à porta de copo de vinho tinto na mão. O estabelecimento era pequeno mas quatro empregadas movimentavam-se de um lado para o outro sem clientes para servir. Uma quinta, dos seus trinta e cinco anos bem conservados, que acompanhava o proprietário e um amigo com um enorme balão de vinho tinto, veio apresentar-se como gerente e aconselhar-me a voltar lá na sexta feira que era a “ladies night”. Pela forma como o patrão lhe agarrava a cintura e beijava o pescoço pareceu-me ser mais que gerente.
Saí dali pelas nove e meia da noite e decidi explorar a movimentada rua. Era composta por uma série de bares e restaurantes, muitos visivelmente propriedade de europeus que ali se decidiram instalar, repletos de miúdas e travestis a chamarem-me para cada um deles.
A prostituição é um grande negócio na Tailândia. Movimenta milhões, representando, segundo os últimos números, 3 a 4% do PIB. Existe principalmente nos locais turísticos pois os melhores clientes são estrangeiros. Por todo o lado se vêm rapazes da minha geração acompanhados de raparigas locais com menos vinte ou trinta anos e algumas vezes miúdos nos seus trintas, com raparigas das mesmas idades. Algumas giras mas muitas “de fugir”. Ainda no outro dia comentei com a minha filha o caso de um inglês, dos seus trinta e poucos anos, com bom aspecto, que estava no nosso Hotel ao pequeno almoço acompanhado por uma Tailandesa gorda e feia que metia medo ao susto. Ele estava com uma cara de quem não se tinha bem apercebido com quem tinha dormido e só com a luz da manhã se tinha consciencializado da situação em que se encontrava. Imaginei aquele miúdo a encomendar pela Internet uma miúda maravilhosa e entregarem-lhe aquele estafermo, na escuridão da noite, já depois de ter bebido três litros de cerveja.
Só no dia seguinte ao pequeno almoço percebeu onde se tinha metido e a cara dele não enganava ninguém. Suponho que nestes casos não se aceitem reclamações.

10 de outubro de 2014

Bangkok 3


Quando saíamos de manhã do Hotel em Bangkok, para visitarmos uma infernal feira onde a Maria queria fazer umas compras antes de partir, ela pediu ao guarda do Hotel para nos tirar uma fotografia juntos na moto e, ao recolher a máquina, esticou-se para a esquerda, desequilibrou a moto, e eu: “cuidado, Maria, cuidado, cuidado”… catrapum, fomos os dois parar ao chão. Nenhum de nós ficou com uma perna lá de baixo mas, como sempre são mais de 300Kg de moto, a força sobre o volante deixou a direção fora do lugar. Nada que umas pancadas secas num dos lados não voltassem a colocá-la no sítio. Mas para levantar a moto com as malas tivemos que ser os três a fazer força.
Lá arrancámos para  Chatuchak Market a vinte e tal quilómetros de onde estávamos, o que no transito de Bangkok equivale e uma boa hora de caminho, a “furar” bastante.
Passámos ali uma grande parte do dia e por acaso gostei porque vi peças de mobiliário e decoração lindas e ainda comprei dois relógios de pulso antigos, para provavelmente os vender em Portugal.
Saídos da feira passamos em casa de um casal onde tinha deixado algumas coisas da Maria e minhas, visitamos um centro comercial para comprar as botas All Stars com que a minha filha sonhava, e fomos beber um copo, ao final da tarde, ao Sky Bar, um sítio fenomenal no 64º andar da State Tower, com vista fabulosa sobre a cidade. Cá em baixo uma menina bem vestida seleciona os clientes, não deixando subir uma turista que vinha de sandálias e jeans assim como outros miúdos de quem ela não gostou das roupas ou sapatos.  A rapariga ainda apontou para a Maria, que também estava de sandálias, mas a recepcionista não ligou às suas reivindicações.
O Sky bar tem uma cúpula majestosa em alvenaria e vidro, onde entra o elevador, e à saída da qual existe um patamar com um quarteto a tocar música clássica para uma plateia que está em baixo de uma imponente escadaria a jantar ao ar livre ou a beber u copo no bar adjacente. Simplesmente fabuloso. Visita imprescindível em Bangkok.
Jantámos depois num restaurante daquela parte central da cidade, servidos por um dos muitos travestis que povoam este país e que são muitas vezes empregado(a)s de bares, restaurantes ou Hoteis e fui levar a Maria ao aeroporto, mais uma vez num trajeto de pouco mais de vinte quilómetros feito numa hora. De carro demoraria perto do dobro, certamente.
Vou ter saudades da miúda. Foi uma excelente companhia.

6 de outubro de 2014

Chalyaphum






A cidade de Chalyaphum não tem graça nenhuma e o hotel que encontrámos era sujo de maneira que pela manhã passámos só em duas lojas a comprar pasta de dentes e uns auscultadores para a Maria ouvir música durante a viagem e seguimos rumo a sul. Percorremos cerca de 300 Km por estradas de planície que têm muito menos graça que as de montanha do Norte da Tailândia.
As estradas aqui são de um modo geral boas e o transito ordenado, a não ser por um ou outro condutor que, ao fazerem ultrapassagens em sentido contrario ao que rolamos, consideram a moto invisível e tenho que abrandar e encostar-me à berma.
Mas o principal perigo de circular de moto na Tailândia são os cães. Como aqui não os comem há milhares de vadios que andam à solta pelas estradas, atravessando-se constantemente à frente da moto. Tem que se estar muito atento e circular devagar. Raramente ultrapassei os 120 Km/h.
Não parece existir uma polícia de estrada nem sinais com limites de velocidade mas é raro vermos um carro a andar depressa, até porque a maior parte são “pick-ups” e Ferraris ou GTR’s só vi em Bangkok. O que encontramos com frequência são militares à entrada das cidades que parecem querer controlar apenas o que os locais transportam. A nós mandam-nos sempre avançar e só fazem sinal para circularmos mais devagar.
Nesse dia ficámos em Sa Kaeo, onde também nos limitámos a dormir, desta vez num Hotel um pouco melhor, e seguir viagem. Aproveitei o facto de passarmos perto de outro parque natural para o visitarmos. São parques com uma vegetação espetacular e muitas das vezes com quedas de água. Existem muitas dezenas pelo país todo mas constatamos que são muito pouco visitados, talvez por estarem fora das rotas turísticas e serem uma banalidade para os habitantes locais.
Às cinco da tarde embarcámos num Ferry para a “Idílica ilha de Ko Chan”, como lhe chamam nos catálogos.
Aqui voltamos a encontrar turistas embora ainda não seja a época alta. A ilha é também ela um parque natural mas com muitos “resort” de todas as classes, no lado cuja costa tem praias. São praias de areia muito fina onde a faixa do areal não tem mais de vinte metros pois a floresta vai até à praia, como nos postais de locais paradisíacos, com palmeiras na areia.
Ko Chan tem partes onde a construção é desordenada mas a parte natural é fantástica. Passámos dois dias num “resort” e outros dois num outro, ambos com uma paisagem de costa extraordinária e um mar, salpicado de pequenas ilhas, sem ondas e com água transparente e quente. Uma vez por dia chovia mas passada meia hora voltava o sol e, como a temperatura exterior nunca baixava dos 32º, havia quem nem chegasse a sair de dentro de água. Como nesta época ainda há poucos turistas foi um “doce far niente” muito agradável.
Depois desses dias em Ko Chang arrancámos de volta para Bangkok.  Acordámos mais cedo que o costume para termos tempo de ir dar um mergulho a uma cascata com uma piscina natural fantástica e acabámos por ir a acelerar, ilha fora, para não perdermos o barco das 11,30 onde entrámos já o homem tinha a mão no botão que fecha a rampa levadiça.
Já no continente fizemos 400 Km para chegarmos a Bangkok ao cair da noite, depois de termos parado uma meia hora para um almoço de frutas tropicais na beira da estrada e outra a meio da tarde para nos abrigarmos de uma carga de água.

2 de outubro de 2014

Dan Sai


Na manhã em que deixámos os animados pescadores arrancámos em direção a Loei mas o dia pôs-se cinzento e apanhámos muita chuva que nos fez parar várias vezes, quando caía com mais intensidade. De uma das vezes aproveitámos para almoçar, em Muang, perto da reserva de Sak Yai e só então vestimos o equipamento de proteção. A chuva não nos afecta muito porque a


temperatura se mantém próxima dos 30º mas quando a intensidade é muita a visibilidade fica reduzida e a aderência, com os pneus de tacos que tenho montados, é pouca, de maneira que prefiro parar e deixar passar a tempestade.
De uma das vezes parámos numa pequena oficina de “scooters” de borda de estrada onde apenas estavam dois miúdos, dos seus 5 e 7 anos rodeados de tralha e galinhas. O mais velho fabricava um arco e flechas afiadíssimas com uma faca que tinha quase metade do tamanho dele. Não quisemos intervir e ainda bem porque pouco depois chegou o pai que achou muito bem o filho estar a fabricar aquela arma e só depois de o miúdo atirar uma mortífera seta contra a parede lhe disse para cortar as pontas afiadas às setas, não fosse acertar no irmão mais novo.
Com as várias paragens era já noite quando chegámos à vila de Dan Sai e como encontrámos um pequeno Hotel com uma dona simpática decidimos ficar por ali.
Arrancámos na manhã seguinte com um dia lindo por uma estrada de montanha espetacular, em bom piso com curvas de raios variados e subidas e descidas com inclinações mais ou menos acentuadas. Deu-me imenso gozo fazer aquela estrada mesmo sem abusar muito, por trazer a minha filha à pendura.
Por volta do meio dia parámos junto a um café de estrada que parecia mais arranjado que o habitual para beber qualquer coisa e qual foi a nossa surpresa quando sai de lá o proprietário inglês, rapaz para os seus sessenta e poucos anos. Comemos um gelado cá fora enquanto o “bife” nos contava que tinha ido para ali viver, casado com uma Tailandesa e naquele dia passara por acaso em casa, junto ao café, para mudar de roupa porque estava a meio de um casamento de uma sobrinha da mulher, que se casara também ela com um inglês e já não aguentava a gravata. Conversa puxa conversa e convidou-nos para irmos ao casamento. Sem hesitar seguimos na moto o carro do Nick e passámos um bom par de horas em animada cavaqueira com os surpresos noivos e convidados ao verem o tio da noiva aparecer seguido de uma moto com mais dois estrangeiros. Por fim tirámos fotografias com muitos deles e despedimo-nos daquela animada festa.
Nessa tarde ainda fomos visitar outro Parque Natural onde diziam haver elefantes selvagens. O problema destes parques é que embora a extensão deles seja enorme só há estradas ou caminhos transitáveis por meia dúzia de quilómetros, acabando invariavelmente num espaço onde se pode acampar, junto a paisagens fantásticas. O problema é que, obviamente, os animais preferem estar no sossego da floresta virgem que naquele espaço e por isso não se encontram elefantes ou qualquer outra espécie, mesmo se os guardas avisam para termos cuidado com os elefantes.
Saindo do parque de Nam Nao fizemos mais uma centena de quilómetros e fomos ficar à cidade de Chalyaphum.  

28 de setembro de 2014

Tha Pla




Quando saímos de Chiang Mai a minha ideia era continuar a volta Á Tailândia, agora descendo pelo lado oriental, perto da fronteira com o Laos. Assim, nessa manhã olhei para o mapa e decidi ir visitar um parque natural que ficava junto a um enorme lago, a uns 200 Km de ali, para oriente.
O dia estava cinzento e, depois de um almoço numa esplanada com vista sobre um magnifico vale, apanhamos alguma chuva. Entramos no parque pelas três da tarde. Na prática, limitava-se a uma meia dúzia de quilómetros de estrada a desembocarem nas margens do lago, onde se poderia acampar.
Tiramos umas fotografias à paisagem deslumbrante e tratamos de ir procurar um sítio onde dormir visto não trazermos equipamento de campismo.
50 Km à frente, contornando as margens do lago, encontramos um pequeno “resort” com “bangalows” no meio do mato, onde ficamos como únicos hospedes. São sítios que não são visitados por estrangeiros por ficarem fora das rotas dos autocarros turísticos onde ninguém fala Inglês.
Como o “resort” não tinha restaurante perguntamos onde poderíamos jantar e indicaram-nos uma pequena aldeia de pescadores junto ao lago.
Pelas 8,30 da noite fizemos cerca de cinco quilómetros por uma estrada deserta e fomos ter às margens do lago onde, construídas em madeira em cima de estacas dentro de água, havia várias habitações de pescadores. Atravessámos por cima de umas estreitas tábuas que tocavam a água com o nosso peso para o que nos pareceu ser a casa mais movimentada mas, antes de aí chegarmos, saiu de lá um homem de bigode, descalço, em calções e tronco nu todo tatuado com o ar alegre de quem já tinha bebido uns copos. Percebia um pouco de inglês mas só sabia pronunciar duas ou três palavras de maneira que falámos com ele em inglês, acompanhado por gestos, e percebeu que pretendíamos jantar. Pediu que o acompanhássemos através das tábuas colocadas sobre a água, algumas delas afundando-se à nossa passagem uns bons 5 cm. A Maria tratou de tirar os sapatos e eu encharquei os meus mas lá chegámos ao que seria o restaurante. Dois homens e um miúdo dos seus 20 anos estavam sentados à volta de uma mesa onde várias garrafas vazias acompanhavam uma meia de whisky manhoso e os três cantavam Karaoke para um écran ao fundo desta salão ao ar livre, visivelmente “alegres”.
O homem tatuado explicou que pretendíamos comer qualquer coisa e o dono sugeriu um arroz de legumes que aceitámos. Enquanto ele cozinhava o arroz o nosso amigo tratou de se servir também ele de um copo de whisky e divertidíssimo por ali ficou a dançar e a cantar ao som do Karaoke. Às tantas perguntaram-nos se não queríamos cantar e tanto eu como a Maria ensaiámos músicas escolhidas de um enorme catálogo multilinguístico.
Passámos uma noite muito divertida a cantar e a beber com aqueles pescadores.
Na manhã seguinte voltámos lá, para ver o local à luz do dia e os nossos homens estavam radiantes por terem acabado de pescar uma espécie de pargo gigante, com cerca de 60 Kg. Preparavam-se para o transportar numa “pick-up” para o venderem na cidade mais próxima, pois na aldeia não tinham gente para comer tamanho animal.

26 de setembro de 2014

Sukhothai





Pelas dez da manhã partimos em direção a Sukhothai onde chegámos ainda a tempo de visitar parte da velha cidade. No início do século XIII Sukhothai foi um próspero reino que muitos consideram ter dado origem à Tailândia.
Ficámos a apreciar aquelas ruinas na manhã do dia seguinte, desta vez em bicicletas alugadas.
 Da parte da tarde contratámos o Chip, que organiza passeios de bicicleta na região, para darmos uma grande volta pelo campo.
O Chip mostrou-nos como a população de uma pequena aldeia dos arredores, maioritariamente agricultores, montou uma fábrica de móveis num período de seca, em regime de cooperativa, para compensar a falta de trabalho nos campos. Explicou-nos também tudo sobre o cultivo do arroz, mostrando-nos nos campos a diferença entre o que é semeado e o que  é plantado à mão e os vários tipos de arroz que cultivam na região. Por fim visitamos uma fabrica artesanal de uma espécie de aguardente de arroz, a que chamam whisky de arroz, que funciona só com um casal. Os dois fermentam o arroz para depois  destilarem o mosto em alambiques rudimentares. Produzem uns 100 litros por dia com a mulher a ir provando o produto ao longo das várias fases. Quando a vi fazer várias provas, sem cuspir o liquido, nos 15 minutos que ali estivemos, perguntei ao Chip se ela não chegava bêbada ao fim do dia de trabalho mas ele disse-me que não, que estava habituada. Deve ficar transtornada é se um dia deixar de beber whisky de arroz.
Na manhã seguinte arrancámos para Chiang Mai. À medida que vamos rodando para Norte a temperatura baixa um pouco, dos 37, 38º para 32,33, tornando-se mais fácil de suportar, e a paisagem é cada vez mais luxuriante, com vegetação densa desde a borda da estrada. A meio caminho parei numa pequena oficina onde me arranjaram uma porca para substituir a que tinha perdido de um dos apoios do para brisas.
Chiang Mai é uma cidade grande e tendo um aeroporto, é bastante turística. A primeira impressão foi má e, circulando pelas ruas principais, não encontrava nenhum Hotel. Decidi então parar num café onde anunciavam ter internet para procurar um. O trajeto do Hotel que escolhi mandava-nos para uma zona de ruas estreitas mais animada e com melhor ambiente. Comecei a apreciar a cidade. Depois de uma hora à procura do Hotel que tinha visto na Internet sem o encontrar acabámos por ficar no primeiro decente que nos apareceu. Jantámos numa tasca local, numa esplanada junto à estrada, e no dia seguinte  começamos por visitar um parque de elefantes, onde a Maria esteve a dar banho a um deles. Depois do banho no rio decidiu montar o elefante. Para isso o tratador mandou o elefante baixar-se e ela trepou lá para cima. O pior foi para sair. Por mais que o homem mandasse o elefante baixar-se de novo, o animal não lhe ligava nenhuma e rodopiava com a Maria em cima dele, embora uma corrente atada a uma pata que o tratador segurava com quantas forças tinha, não o deixasse ir longe. Às tantas decidiram tirar o elefante do rio mas mesmo cá fora ele recusou a baixar-se. Trouxeram então uma cria para junto dele com a intenção de o acalmar mas acabou por ter que ser outro tratador a saltar para cima de um segundo elefante que se pôs ao lado daquele passando a Maria de um para o outro.
Depois desse episódio caricato que já tinha toda uma plateia de publico e tratadores a assistir, cada um a dar a sua opinião, presenciamos um “show” extraordinário onde elefantes jogavam futebol e pintavam quadros com um pincel na tromba, de uma perfeição impressionante.
Por fim demos um passeio de elefante de uma hora pela floresta. Muito animada, a ida ao parque dos elefantes.
Nesse dia ainda fomos a um parque de Tigres onde tiramos fotografias junto às feras. Estes não pareciam estar drogados, como o de três dias antes, mas simplesmente bem amestrados.
Ao fim do dia ainda subimos à montanha mais alta de Chiang Mai para visitar o principal templo da cidade. A estrada até ao alto da montanha era espetacular com curvas e contracurvas de vários raios em bom piso. Já perto do cimo encontramos um grupo de uns vinte motociclistas que me contaram encontrarem-se ali todos os fins de tarde só pelo gozo de subirem e descerem aquela estrada.
O templo Budista era dos melhores e mais bem arranjados que já tenho visto e tivemos a sorte de chegar a uma hora onde começou uma reza dirigida por um “Master Buda” perante quem os miúdos budistas se ajoelhavam à sua passagem. Fantástico.

24 de setembro de 2014

Ayuthaya




A Tailândia é um país muito mais desenvolvido que os vizinhos da Birmânia, Laos, Vietnam ou Cambodja.
50% da população vive da agricultura, principalmente de arroz, do qual são o 3º exportador mundial, mas a industria desenvolveu-se muito nas ultimas décadas e produzem não só coisas básicas como roupas ou sapatos mas também alta tecnologia como computadores ou peças para automóveis. Na oficina onde estive a reparar a moto vi acessórios para motos de altíssima qualidade fabricados localmente.
O desenvolvimento económico levou a que o transito na capital se tornasse caótico. De carro leva-se horas a atravessar a cidade que é, toda ela, um engarrafamento enorme e permanente. Não que o transito não seja organizado mas ficamos com a sensação que cada habitante tem pelo menos um carro, na maioria “pick-ups”. Os sinais luminosos demoram muito mais tempo a mudar do que na Europa e é usual ficarmos parados 4 ou mesmo 5 minutos num sinal encarnado. O que vale é que, como bons Budistas que são, os tailandeses não se parecem enervar e é muito raro ouvir-se uma buzina.
No Segundo dia de visita à Tailândia fomos visitar o Palácio Real e o espetacular Templo Esmeralda, onde os reis oravam a Buda, antes de deixarmos Bangkok, a caminho de Ayuthaya, antiga capital.
Acordámos pelas nove  e ao procurarmos um local para tomar o pequeno almoço só nos ofereciam frango, arroz ou massa de maneira que acabámos num supermercado onde eu escolhi uma tarte recheada de maçã e a Maria o que parecia ser um pão recheado de chocolate. Sentámo-nos numa escada com o nosso “pick-nick”. A tarte não era má mas perante a insistência da Maria a dizer que o chocolate não sabia a chocolate procurámos a embalagem e constatamos que o pequeno almoço dela tinha sido pão recheado com pasta de feijão.
Tivemos uma manhã divertida que incluiu uma visita às ruinas da velha capital, um passeio de elefante, outro de canoa à volta de um mercado flutuante e uma sessão fotográfica junto a um tigre que felizmente parecia estar mais drogado que um “junkie” do Casal Ventoso.
Nesse dia ainda fizemos uns 200 Km em direção a Sukhothai.
Parámos junto a um telheiro à borda da estrada onde uma família vendia refeições. Sem perceberem uma palavra de inglês, pedimos um prato idêntico ao que o único cliente tinha, um arroz de camarão com bom aspecto, mesmo se picante de mais. Estávamos a acabar quando a senhora, simpática, trouxe uma travessa para a mesa explicando que era oferta da casa. Sem pestanejar a Maria deu uma garfada no que parecia ser um escaravelho embrulhado em legumes e pôs aquilo na boca.
-“grande corajosa”, disse eu.
- “pai ! o que é isto? É para comer?”
- “acho que não”
Com vergonha de deitar aquilo fora em frente da mulher ainda lhe deu duas trincas, que não lhe fizeram mal.
Nesse dia ficámos em Nakhon Sawan, uma cidade sem turistas e onde nem o empregado da recepção do Hotel falava Inglês. Quando lhe perguntámos a que horas fechavam as lojas apontou para o numero nove no seu relógio de pulso e disse:
- “three o’clock”