13 de fevereiro de 2014

Myanmar 2




Finalmente, pelas dez da noite, alcatrão, primeiro em muito mau estado e depois um pouco melhor. Parei num restaurante de beira de estrada onde o dono me ofereceu uma garrafa de água e uns bolos, mesmo depois de lhe explicar que não tinha um tostão. As pernas estavam fracas depois de rodar horas em pé na moto, a única maneira de enfrentar aquelas estradas de terra tão esburacadas. Já me doíam joelhos e costas.
Voltei à estrada com a gasolina a chegar à reserva. Há mais de 300 Km que não passava por uma bomba. Finalmente encontrei uma. Tinha uma única bomba com que os rapazes se preparavam para me atestar o depósito. Decidi cheirar a mangueira antes de abastecer. Era Diesel. Antes tinha convencido o responsável, através de muita mímica, a pagar em dólares e receber o troco em moeda local, visto que ninguém falava uma palavra de Inglês.
Quando lhes expliquei que precisava era de gasolina mostraram-me umas garrafas plásticas de água de litro, atestadas com um liquido encarniçado. Cheirava a gasolina de maneira que, pedi desculpa à “Cross Tourer” e enfiei-lhe com sete litros do produto no bucho. Queixou-se, como de costume quando lhe dou deste tipo de zurrapa para beber, através de um grilar preocupante, mas não teve outro remédio senão “mamá-la”.
Entretanto passara por uma série de “check points” com cancelas abertas onde não me mandaram parar. Soube depois que foi porque sabiam que eu iria passar. No dia seguinte o meu guia, que seguia de jipe com o motorista, meia dúzia de horas atrás, sabia não só que eu tinha chegado a Mandalay às onze e meia da noite como a hora a que tinha passado em cada vila. Só não sabia em que Hotel eu ficara a dormir. Ficou em pânico, com medo de ser despedido, quando explicou à responsável do ministério que acompanhava a minha viagem quase ao minuto via telemóvel, que não sabia onde eu estava.
Quando lhe liguei às nove da manhã disse que estaria à porta do meu Hotel dentro de meia hora, mesmo depois de uma noite praticamente em branco e apareceu com o Chefe do Ministério do Turismo local e um carro da polícia a acompanhá-los. Passaram-me a senhora do ministério ao telefone que me pediu por tudo para me manter em contacto com o guia, que tinham ficado muito preocupados e que se sentiam responsáveis se alguma coisa me acontecesse, quais professores de colégio interno.
Disse-lhe estar fora de questão eu rodar junto com o carro do guia e não teve outro remédio senão aceitar, prometendo eu ligar para o guia no final de cada dia a dizer onde ficava a dormir.
Ainda em Mandalay quis ir à procura de um carregador para o meu computador e visitar um amigo que tinha conhecido através da Internet e que organiza uns passeios com motos locais  em Myanmar, ou seja 125’s. O Zach é muito simpático e deu-me imensas informações sobre o funcionamento do país, confirmando-me que eu tinha sido o primeiro a ter tido autorização para o atravessar num veículo próprio o que o espantou porque me contou que nem ele tem licença para atravessar as zonas onde eu iria passar. Pedi-lhe desculpa por aparecer com aquela comitiva ridícula e despedi-me já perto do meio dia. Parti, finalmente para o próximo destino e, como tinha feito aquele esticão do dia anterior, que o ministério tinha previsto eu percorrer em dois dias, decidi parar antes de anoitecer, na cidade de Taunggyi.
A população de Myanmar é simpatiquíssima, principalmente as mulheres que parecem ser em maior numero que os homens e, principalmente na província, ficam fascinadas por ver um estrangeiro. Riem-se, dizem adeus e, quando podem, metem conversa. Uma atitude radicalmente oposta à das Indianas que, devido talvez à sua cultura de subservencia, têm medo de falar com estranhos.
Nesta noite em Taunggyi  acabei por ir jantar a um restaurante Chinês, o único aberto perto das nove da noite. Na mesa ao lado estavam duas miúdas tailandesas e duas birmanesas, todas giríssimas. Enquanto eu lia o livro que trazia, à espera do jantar, as birmanesas não paravam de se rir para mim enquanto faziam comentários com as amigas. Às tantas convidaram-me para me mudar para a mesa delas e ofereceram-me o jantar. Bebemos vinho e cerveja a noite fora e acabámos numa sessão fotográfica de volta da moto na garagem do Hotel. Muito animado.

12 de fevereiro de 2014

Myanmar




Finalmente, tudo pronto para entrar em Myanmar, ou Birmânia como os ingleses e Americanos lhe continuam a chamar.
Às 7,45 estava a sair do Hotel a caminho do escritório da emigração em Moreh, uma barraca de telhado de zinco sem janelas. O responsável, a quem tinha mostrado o mail que recebi do governo de Myanmar a confirmar a chegada do guia na manhã anterior, quando o encontrei no internet café local, disse que mesmo assim teria que enviar o emissário comigo ao outro lado da fronteira para confirmar se o meu guia sempre lá estava.
Voltei a montar na traseira da pequena Honda da repartição e lá fomos os dois. Só que, desta vez, os militares indianos não nos deixaram passar para o lado Birmanês. Com as bombas que tinham rebentado quinze dia atrás na pequena vila e, na expectativa de terem mais problemas no dia seguinte, estão em pânico e cortam, o mais que podem, todas as entradas e saídas de Moreh. Voltamos para trás e o homem da moto foi acordar o chefe que vive por trás da barraca. Desta vez montou-se o chefe na traseira da Honda e lá foi, munido do meu passaporte, pedir autorização aos Birmaneses para eu passar. O meu guia já me esperava de maneira que, a partir daí, carimbaram a minha saída da Índia e os homens da alfândega, a quem tinha pedido para lá estarem às oito em vez das onze habituais, preencheram o Carnet e lá segui ao encontro dos “emplastros” que eram o guia e o seu motorista. Depois da papelada resolvida do lado Birmanês, arranquei com a moto atrás deles a caminho de Mandalay, a mais de 500 Km de distancia. Já eram perto das onze da manhã.
Passados meia dúzia de quilómetros vi que a situação era insustentável e ultrapassei o guia. Só que ainda tínhamos que parar na primeira cidade a levantar um registo provisório da moto. Com o papel na mão, uma autorização para atravessar o país com o numero de registo 001, comuniquei-lhes que nos encontrávamos em Mandalay, a 500 Km de distancia, que eu iria à frente.
Ainda percorri uns 80 Km em estrada alcatroada razoável mas depois tinha um troço pela frente , com  mais de 300 Km, tipo etapa de Dakar, numa pista de terra batida muito degradada.
Com a moto mais leve, por ter deixado as malas no carro do guia, diverti-me bastante, mesmo se a “Cross Tourer” pesa 300 Kg com o depósito cheio contra os 150 Kg das motos do Dakar.
Aquele troço é a única entrada em Myanmar para quem vem da Índia mas, como eles têm a fronteira praticamente fechada, tem muito pouco movimento. Uns poucos camiões e meia dúzia de jipes e carrinhas de transporte de pessoal.
Começou a anoitecer e a situação tornou-se mais complicada. Com o entretimento tinha-me esquecido de comer e ainda não tinha encontrado lugar onde trocar dinheiro, pelo que não tinha um tostão da moeda deles.
À borda da estrada por vezes haviam miúdos a chocalharem umas caixas numa espécie de peditório de “pão por Deus”. Só que, neste caso, eles recolhem dinheiro mas oferecem bolos, fruta e águas.
Parei num deles e, mesmo explicando que não tinha um tostão, ofereceram-me duas bananas que representaram o meu almoço.
Voltei a arrancar, noite dentro, por aquele inferno de buracos e passei por uma parte montanhosa de floresta onde, na borda da estrada, vi uma espécie de Alces com enormes chifres e, mais à frente, uma raposa.
Passadas duas horas parei junto a outro peditório e comi outra banana à borla.
Pelas nove da noite apanhei uma zona de areia mole , a Honda enterrou a roda da frente e... “pumba”, caí para o lado. Não estava ninguém por perto e, sozinho, não consegui pôr a moto em pé. Desliguei as luzes para não gastar bateria e só então reparei que estava uma noite linda, com 20º de temperatura e um céu estrelado maravilhoso, como já não via há muito.
Por ali fiquei à espera que viesse jipe ou camião. Passado um quarto de hora vi umas luzes ao fundo e voltei a ligar a ignição, para quem quer que fosse me ver a bloquear a estrada com a moto.
Uma carrinha cheia de pessoal parou junto à moto mas, talvez com medo que aquilo pudesse ser uma armadilha, só o condutor saiu, depois de alguma hesitação. Ajudou-me a levantar a moto e lá pude seguir viagem. 

11 de fevereiro de 2014

Moreh




Estou aqui há três dias mas ontem à tarde, finalmente, recebi um mail de um ministério na Birmânia a dizer que o meu guia, que eles me obrigaram a ter para atravessar o país, chegará aqui à fronteira amanhã de manhã.
Está um tempo fantástico, com sol e perto de 30º durante o dia e cerca de 15º à noite. Depois de tomar um pequeno almoço de uma espécie de pão frito e chá com leite numa tasca ao lado, passo os dias a ler numa cadeira à porta do Hotel.
Duas vezes por dia, quando a eletricidade chega à cidade e coincide com o funcionamento da rede de internet, o homem do Internet café do outro lado da rua chama-me e lá vou eu navegar durante cerca de uma hora.
Ouvem-se geradores a funcionar e militares, com capacetes, fatos camuflados, coletes à prova de bala e armados até aos dentes, patrulham constantemente a cidade.
Temos a sensação de estar num local de guerra. Há quinze dias fizeram rebentar várias bombas no centro da vila, felizmente sem vítimas, mas as forças de segurança andam visivelmente nervosas. Dentro de dois dias é o dia da República Indiano e esperam-se perturbações. A senhora do Restaurante conta-me que o seu tio vive “underground” e disse-lhe que, se eu voltasse para trás só podia deixar a vila dentro de três dias. Antes disso seria muito perigoso. Senti-me um pouco encurralado mas a pensar que fugiria para Myanmar mesmo a tempo.
Polícia e militares estranham este forasteiro por ali. Primeiro veio o chefe de polícia ter comigo, à paisana, a pedir-me o passaporte. Quando hesitei mostrou-me o seu cartão da polícia. Foi tirar fotocópias ao passaporte e convidou-me a tomar chá na tasca ao lado. Explicou-me que há muitos problemas na zona com os grupos independentistas e pediu-me compreensão pelo controlo.
Tinha-me tornado mais suspeito quando um conhecido membro da oposição local veio ter comigo para me convidar a assistir a um comício que haveria no dia seguinte. Prometeu-me a zona VIP e que teria direito a almoço. Gostava muito que eu fosse. Disse-lhe que não me queria envolver em política mas foi à loja de computadores fazer fotocópias do seu programa político e veio entregar-mas.
Ontem fui com uma das miúdas do restaurante em frente à pendura na moto a uma parte mais recôndita da vila, com ruas estreitas de lama, à procura de uma loja onde pudesse encontrar um carregador para o computador que perdi.
Os militares estranharam ver-me naquela parte da cidade e hoje, quando estava a jantar no restaurante da miúda, onde através das frechas abertas no piso de madeira vemos ratos a passearem alegremente, entraram pela barraca dentro, de metralhadoras em riste. Dois deles ficaram junto à minha mesa e outros dois, sem dizerem uma palavra, passaram para a cozinha e foram espiar as traseiras. Só quando regressaram me perguntaram o que fazia em Moreh e me pediram o Passaporte. Quando o fui buscar ao Hotel, do outro lado da rua, seguiram-me e, à porta do quarto, perguntaram-me se transportava armas ou substância ilícitas.
A mulher do homem dos computadores diz-me que já têm vindo aqui estrangeiros, de moto ou de carro, tentarem passar para Myanmar mas acabam sempre por não conseguir a famigerada autorização e voltam para trás. Uma mulher de um dos ministérios com quem falei ao telefone também me pediu que compreendesse a burocracia porque era a primeira vez que deixavam um veículo estrangeiro atravessar o país.
Hoje fui questionado por um polícia de outra corporação. Com óculos escuros, bigode e ar de “playboy”, uma imagem certamente influenciada por séries policiais americanas, disse-me pertencer a uma “espécie de NYSF”.
-NYSF ? perguntei eu. O que é isso?
New York Special Forces, respondeu ele.

10 de fevereiro de 2014

Manipur




Entrei em Manipur pelas 10,30 da manhã. Eles têm uma espécie de posto fronteiriço mas, tal como tinha feito em Nagaland, no dia anterior, nos dois ou três “check points” por onde passei, apanhei os guardas distraídos e, antes que tivessem tempo de me mandar parar ... ala que se faz tarde. O problema é que por vezes ficam a fazer-nos interrogatórios durante horas e corria até o risco de me mandarem para trás.
Esta província Indiana no extremo oriental do país, cuja capital é Imphal, tem mais de 2,5 milhões de habitantes que falam, uma língua própria, o manipuri. A população é formada por uma enorme variedade de tribos, todas elas com traços fisiológicos mais orientais que indianos.
Há décadas que vários grupos pedem que a província se torne independente da república Indiana. Um dos problemas é que cada grupo pretende instalar o seu regime que a maior parte das vezes não coincide com o dos adversários.
O ambiente é tenso.
Na estrada até Imphal, os jipes que passam por mim ostentam quase todos enormes bandeiras de diferentes partidos, todos eles contra a presença indiana em Manipur. Tinham-me avisado para não fazer esta estrada de noite, de forma nenhuma, pois há muitos assaltos por homens armados.
A estrada é de montanha, esburacada, e volta a ter partes que não estão alcatroadas de maneira que as médias são muito baixas. Para chegar a Moreh, a vila fronteiriça, antes de anoitecer, não podia perder muito tempo com os “check points” mas, a partir de Imphal foi impossível evitá-los. Ainda passei o primeiro à “sucapa” mas dois ou três quilómetros depois militares mandaram-me parar no meio da serra. Tinham sido informados que eu passara o “check point” sem parar. Foram simpáticos, recomendaram que parasse nos próximos e mandaram-me seguir. A partir daí fui mandado parar mais umas três ou quatro vezes e, de cada uma, pediram-me passaporte, verificaram vistos e revistaram a bagagem. Nesta estrada de Imphal até à fronteira, muito controlada por militares indianos, já não aparecem as bandeiras nos jipes. Vemos antes carros e camiões carregados com mercadoria trazida de Myanmar a arrastarem-se nas subidas e a deixarem um rasto de cheiro a Ferodo queimado nas descidas. As transmissões  são um dos órgãos que sofre nas subidas acentuadas devido ao peso que levam e passei por um camião ao qual já tinham desmontado o diferencial, pousado no alcatrão, com os passageiros a esperarem calmamente na berma da estrada que a reparação ficasse concluída.
Cheguei a Moreh pelas quatro e meia da tarde, escapando a noite por meia hora. É uma vila pobre, com a maioria das casas em madeira com telhados de zinco muito degradadas. Fui até à fronteira mas tinha fechado às quatro. Recomendaram-me o único Hotel em que os quartos tinham casa de banho, mesmo sendo do estilo sujo a que estou habituado.
Jantei numa tasca em frente do Hotel a habitual galinha com arroz e deitei-me cedo porque aqui, ao contrário do que acontece no resto da Índia, fecha tudo às oito da noite.
No dia seguinte, pelas 8,30 da manhã estava na parte indiana da fronteira. O oficial de serviço informou-me que, mesmo eu tendo o visto para Myanmar, não me carimbavam o passaporte para sair da Índia sem autorização dos Birmaneses. Fui então à pendura numa pequena moto com um empregado da alfandega até ao outro lado da fronteira falar com o oficial de serviço. Antes de atravessar a estreita ponte sobre o rio que aqui separa os dois países, o homem passou do lado esquerdo para o lado direito da estrada e só então soube que iria voltar a circular pela direita, depois de andar do lado “errado” desde que entrei no Irão, cinco países atrás.
O oficial Birmanês disse não ter autorização para que eu entrasse de maneira que tive que regressar à vila  e tentar enviar um mail para o meu contacto em Myanmar.
Voltei a instalar-me no Hotel onde, do outro lado da rua, numa barraca podre, havia uma espécie de Internet Café que funcionava durante as poucas horas em que havia eletricidade no local.

6 de fevereiro de 2014

Nagaon




Os meus amigos da noite anterior tinha-me aconselhado, a caminho da próxima província, a visitar uma reserva de animais que havia a uns cem quilómetros dali na direção que eu deveria seguir mas, como representava um percurso maior e eu queria chegar perto da fronteira do estado de Manipur nesse dia, decidi não fazer essa escala e seguir o caminho mais curto.
A razão é que, naquela zona, a província de Manipur, talvez por ser a mais afastada da verdadeira Índia e junto à mais oriental Myanmar, é onde tem havido mais problemas. Ali já não se vêm quase nenhuns Indianos, como os conhecemos, e os partidos independentistas criam muitos conflitos com as autoridades, com bombas em redor da capital do distrito, além de assaltos nas estradas  por homens armados, às vezes a todos os passageiros de autocarros. Contam-me que, por vezes, depois de assaltarem os passageiros, passam recibos como “colaborações para a causa revolucionária”. Por tudo isso, para passar mais despercebido, achei que seria melhor ficar a dormir numa cidade antes de entrar na província, para depois a atravessar de uma só vez, com o menos paragens possíveis, para que não dessem muito pela minha presença.
Ali não se brinca às guerras e raptarem um turista ocidental pode ser uma boa forma de alertar o mundo para a sua causa.
A estrada a caminho de Kohima, a cidade perto da fronteira com a província de Manipur, era primeiro uma auto estrada de bom piso para depois passar para uns 150 Km de serra em piso razoável e a acabar em cem quilómetros muito difíceis, com parte do percurso com zonas de terra batida em muito mau estado. Quando estava a uns 30 Km da cidade, numa estrada de terra com muita pedra solta acabei por cair. Não rodava a mais de 40 Km/h e mais uma vez não me magoei mas voltei a partir a maneta de embraiagem e a mala esquerda ficou entalada numa posição em que roçava no pneu. Dois homens que seguiam numa camioneta de transporte de vacas pararam para me ajudar a levantar a moto e arranquei, com a maneta reduzida a um terço até uma bomba de gasolina dois ou três quilómetros à frente. Ali tentei soltar a mala da posição em que ficara, sem sucesso. Ficou entretanto noite e tive que arrancar para a cidade. Um homem equipado a rigor numa impecável Royal Enfield recomendou-me que atestasse ali o depósito pois a gasolina em Manipur é muitas vezes adulterada. Assim o fiz e arranquei noite dentro pela esburacada estrada de montanha, com a mala a roçar no pneu. Às tantas comecei a sentir a moto a fugir muito e pensei que tinha um furo. Parei para verificar mas o pneu estava bom. Só quando voltei a partir reparei que ao longo da estrada estava um risco de gasóleo com uns dois metros de largura. Arranquei evitando o mais possível pisá-lo para, uns quilómetros à frente, encontrar a origem do problema: um camião auto tanque espalhava litros e litros de gasóleo que saíam pela parte superior do tanque.
Finalmente chegado ao Hotel pedi um pé de cabra com o qual consegui soltar a mala da posição em que estava e que levou a que o pneu tivesse aberto um buraco no alumínio. Para além disso troquei a maneta de embraiagem por uma com a ponta soldada, proveniente de uma reparação feita na Índia.