9 de outubro de 2013

English Bazar




Ontem à noite, depois de reparar a maneta da embraiagem da “Cross Tourer”, perguntei no concessionário qual era o melhor Hotel local e como a cidade já tinha uma certa dimensão o Hotel era bom. O desastre do dia anterior não estragou mas moeu e estava precisado de um bom duche e uma cama limpa e confortável. Como tinham internet, embora muito lenta, acabei por me deitar tarde e hoje acordei só às dez e meia. Saí duas horas depois em direção a Calcutá mas sabia que não faria mais de 300 Km, devido ao estado das estradas.
A estrada ao longo do dia foi quase toda de mau piso mas pelo meio ainda apanhei uns 50 Km de auto estrada, se é que se lhes pode chamar isso a estas vias com separador central mas onde circulam não só motos ,carros e camiões como peões, “rickshaws” a motor e a pedal, bicicletas, tratores agrícolas, carroças e todo o tipo mais de veículos que possamos imaginar. É suposto andarem todos no mesmo sentido mas alguns andam no sentido inverso com o à vontade de quem roda na sua faixa. Para além disso temos vendedores de fruta na berma, crianças que voltam da escolar de bicicleta e vacas a pastar no separador central ou simplesmente deitadas a descansar na via. Com tudo isto têm portagens, embora as motos estejam isentas.
Pelas quatro da tarde parei junto a um vendedor de fruta para almoçar três bananas e, como de costume, rapidamente se reuniu uma multidão de volta da moto.
Pretendia chegar a meio do caminho de Calcutá para amanhã ir até lá mas, com pouco mais de 200 Km percorridos começou a anoitecer. Perguntei numa vila se havia algum Hotel mas aconselharam-me vivamente a não ficar lá e que fosse antes até English Bazar, uma cidade já com uma certa dimensão mas a 80 Km de distancia. Fiz-me à estrada mas arrependi-me. Circular à noite na Índia é uma loucura ainda maior do que a nossa mente possa imaginar. O problema é que continuam todos na estrada, com os camiões a virem de frente direitos a nós, que temos que sair para a berma, porque não querem desperdiçar aquela oportunidade de ultrapassagem, todo o tipo de veículo em sentido contrário e…. muitos deles sem luzes. Atrás então é muito raro o camião que as tem a funcionar. Pelas sete e meia da noite lá cheguei a English Bazar onde encontrei um Hotel minimamente decente mas sem Internet, como de costume.
Ainda em relação ao desastre de ontem eu estava consciente, quando me meti nesta aventura, que haveria de ir uma ou outra vez ao “tapete”. É muito pouco provável isso não acontecer numa viagem destas e estou certo que este acidente não foi o ultimo. Espero é que as consequências não sejam mais que estas.

5 de outubro de 2013

Siliguri




Tough day.
Navegar nesta terra não é fácil. Quando cheguei à conclusão que o GPS aqui servia apenas de bússola, quando muito, pois o país não está digitalizado, tentei arranjar um mapa de estradas da Índia, para me tentar orientar. Não encontrei uma loja que vendesse um mapa e depois comecei a perceber que um mapa também não me serviria de nada pois eles não só não têm os nomes das terras indicados à entrada e saída das vilas e cidades como muito raramente têm indicações de direções de povoações ou distancias. As próprias ruas também não têm nomes e as estradas quase nunca marcos com números.
O que acontece é que os Indianos não viajam de carro e muito menos de moto. Os carros e as motos de 125 ou 150 c.c. são para percorrer distancias curtas em trajetos que conhecem. Quando têm que viajar para mais longe vão de comboio ou camioneta de passageiros. Quando raramente fazem uma viagem de carro utilizam o mesmo sistema que adoptei, que consiste em escrever os nomes das cidades e vilas por onde têm que passar para chegar a um determinado destino e perguntar aos populares como se chega à vila seguinte. Normalmente vejo o trajeto no “google maps” mas já me aconteceu adoptar o sistema deles e perguntar a alguém que saiba, os nomes das vilas por onde tenho que passar.
O trajeto de hoje levar-me-ia a entrar no Bangladesh pelo norte do país.
A aldeia junto à floresta da “Buxa Tiger Reserve” onde tinha ficado, estava a cerca de 100 Km da fronteira. Arranquei por uma estrada interior que me indicaram no Hotel pelas dez da manhã mas passadas duas horas a rodar no meio de um transito infernal através de vilas e aldeias não tinha percorrido mais de 70 Km. até que me indicaram uma estrada para a fronteira com o Bangladesh com muito pouco movimento. Estranhei porque estas fronteiras têm normalmente muito transito, principalmente de camiões. Quanto mais me aproximava da fronteira mais a estrada estreitava e o tráfego diminuía, até que parei junto a uma barraca onde vendiam bebidas para comprar uma água. Venderam-me uma garrafa de água morna porque, embora estivesse dentro dum frigorifico, não tinham eletricidade e confirmaram que estava a caminho da fronteira com o Bangladesh, que não distava mais de dois ou três quilómetros. Arranquei e, depois de uma ponte, a estrada estreitou ainda mais e passou a ser de terra. Pensei que iria entrar no país por uma fronteira recôndita e não me pareceu má ideia. Não tinha percorrido mais de um quilómetro na estrada de terra quando um militar de espingarda ao ombro,  que estava à porta de um quartel à beira da estrada daqueles tão rudimentares que só tinha visto nos filmes, me deu um grito e me mandou ir ter com ele. Pediu que estacionasse a moto junto a uma banca com o tecto em colmo à porta do quartel e que esperasse. Como não se passava nada decidi tirar umas fotografias à moto junto aquele quartel tão pitoresco e ouvi então um segundo grito, desta vez vindo de uma cabana dentro do perímetro do quartel: “No photos, no photos”
Passado um minuto apareceu outro guarda que me pediu que o acompanhasse ao comandante. O comandante do quartel parecia ter sido tirado de um filme do Indiana Jones. Com os seus quarenta e poucos anos tinha ar de “tough playboy”, com uma barba curta e o cabelo comprido apanhado dentro dum boné da tropa, que o segurava. Era simpático e falava bem Inglês. Educadamente perguntou-me o que fazia ali, de onde era e para onde pretendia ir. Nessa altura reparei que quatro militares me tiravam o que primeiro pensei serem fotografias e depois percebi ser filme, dois deles com telemóveis e dois outros com câmaras. Como na Índia tem sido habitual tirarem-me fotografias a toda a hora comecei por fazer pose, tipo sorriso nº5 e só depois percebi que eles estavam simplesmente a cumprir a ordem de me filmarem a responder ao inquérito. O comandante explicou-me que aquela era uma fronteira muito restrita e que eu teria que voltar atrás e ir a uma outra 80 Km a sul. Agradeci a informação, despedi-me do personagem e parti em direção à moto. Só que os quatro militares continuavam a filmar todos os meus movimentos enquanto um deles me repetia algumas das perguntas que o comandante me tinha feito e outro me dizia que tinha que apagar as fotografias que tinha tirado. “Sim, sim, eu depois apago” E ele voltava a repetir que tinha que apagar as fotografias. Até que, quando me preparava para montar na moto, com todos aqueles “cameramen” improvisados à minha volta, ele insistiu. “Não. Tem que apagar, agora. Já”. Não tive outro remédio senão cumprir a ordem, com a operação a ser também documentada em filme, para arquivo do quartel.
Lá acabei por arrancar para a outra fronteira através de uma estrada razoável. Quando lá cheguei eram três da tarde e depois de passar as filas de muitas dezenas de camiões cheguei à barraca onde estavam instalados os oficiais da alfandega Indiana. Como não tinha visto para o Bangladesh não me deixaram passar, por mais que insistisse que trataria dele na fronteira. Disseram que teria que ir a Calcutá, 600 Km para sul, ao consulado do Bangladesh na cidade.
Sem alternativa deixei a segunda fronteira do dia sem a conseguir passar.
Agora seguia por uma estrada terrível, idêntica à que tinha apanhado à saída do Nepal, em terra muito esburacada e com grande movimento de camiões. São estradas muito perigosas pois os camiões tanto para tentarem desviar dos buracos como de outros camiões que vêm em sentido contrario nas faixas que deveriam ser deles, andam constantemente a varrer a estrada, da esquerda para a direita e vice versa. Na outra estrada à saída do Nepal vi a vida mal parada duas ou três vezes mas agora aconteceu mesmo o que estava à espera mais dia menos dia. Um dos camiões encostou-se todo à direita, não percebi por que razão e quando o ia a passar pela esquerda, guinou para cima de mim sem me deixar estrada. Deu-me uma pancada de lado com que voei para fora de estrada, eu e a moto, aos rebolões por um barranco.  Tive sorte pois não me magoei nada e a pobre “Cross Tourer” partiu os suportes das malas, que saltaram fora, e a maneta da embraiagem. Podia ter sido muito pior. Dois metros à frente teria batido forte contra uma árvore. O homem parou assustado e da parte de trás do camião saltaram mais três que me ajudaram a colocar a moto de volta na estrada.
Depois de recolocar as malas no sítio, apoiadas nos suportes que restavam, voltei a arrancar por aquele pesadelo de estrada, a caminho da próxima cidade. Tive que fazer mais setenta quilómetros com um coto como maneta de embraiagem o que foi duro pois nestas estradas temos que passar muitas vezes de caixa e por várias vezes tive que pôr primeira para passar por buracos tão fundos que a moto, que é alta, batia com a parte de baixo no chão.
Quando cheguei a Siliguri, uma destas cidades sem graça nenhuma, eram seis da tarde, estava a escurecer e tinha dois dos dedos da mão esquerda quase em sangue. Tive a sorte de passar à porta de um grande concessionário Honda. Pedi para falar com o gerente, expliquei-lhe a situação e ele tratou logo de me resolver o problema. Fui com um dos empregados e uma maneta nova de uma 125 a um soldador local que cortou a ponta dessa maneta e soldou ao resto da minha. Ficou um trabalho impecável e no concessionário não só não me deixaram pagar como me ofereceram um perfume de presente, provavelmente por estar a cheirar tanto a suor.  

3 de outubro de 2013

Buxa Tiger Reserve





Parti pelas nove e meia da manhã de regresso à “Buxa Tiger Reserve” para tentar que me organizassem um Safari. Ao contrario do Nepal, em que têm boas e bem arranjadas Lodge privadas com Safaris organizados, aqui na Índia é uma desorganização total. As Lodge menos más são do estado mas têm mau aspecto e estão mal tratadas. Os Safaris têm que ser planeados pelo cliente que tem que procurar quem tenha um jipe para alugar e contratar um guia que conheça a floresta. Ontem, quando cheguei à recepção, estava só um bébé deitado num cobertor. Passado um bocado lá apareceu a mãe a recolhe-lo e um recepcionista que não soube tratar de nada.
Hoje depois de insistir lá consegui reunir um Jipe, condutor e guia para o Safari através da floresta profunda, à procura de Tigres que me tinham avisado ser cada vez mais raro aparecerem. Por outro lado leopardos, elefantes e bisontes parece que são muito comuns por aqui. Só que, à hora que arrancámos é difícil encontrá-los e, de facto, acabámos por não ver nenhum. De qualquer forma foi um divertido passeio de duas horas através da densa floresta em que apanhámos árvores caídas no caminho, refrescámos os pés em rios e tivemos que afastar ramos e troncos para conseguir passar com o velho “Tata” que só tinha tração traseira. O passeio acabou duas horas depois quando o condutor, depois de uma guerra constante com a maneta da caixa de velocidades, acabou por a bloquear em quarta e, por mais que o homem desse pancada no manípulo, de quarta não saiu mais. Empurrámos o Jipe para fazer marcha atrás no meio da floresta e voltámos à base em quarta, a patinar a embraiagem nas zonas mais lentas.
Acabei por almoçar pelo Lodge da selva e resolvi ficar por aqui mais uma noite e partir só amanhã de manhã para o Bangladesh. Li há pouco no jornal que ontem assaltantes mataram um condutor de um camião que não quis entregar-lhes o dinheiro todo junto a esta fronteira de maneira que vou mentalizado para abrir os cordões à bolsa, se tiver que ser.

2 de outubro de 2013

Wild Life Reserve 3





Ontem tive que deixar o Butão porque o visto acabava. No dia anterior tinha tido uma divertida noite na companhia do meu guia e do gerente do Hotel. Estive de manhã na Internet, onde já não conseguia ir há uns dias, e acabei por arrancar só ao meio dia. Demorei três horas e meia a fazer os perto de 200 Km que separam a capital, Thimphoo da fronteira, por aquela estrada que serpenteia através dos Himalayas, nalguns locais muito estreita e em que a altitude sobe até perto dos 2500 metros.
Na vila da fronteira decidi ir almoçar antes de carimbar o passaporte a caí na tentação de pedir uma pasta com legumes à italiana. É um erro que não volto a cometer, por mais farto que esteja de comer galinha com arroz, pedir um prato que não faz parte da alimentação habitual dum país. Trouxeram-me uma mistela de massas diferentes que pareciam ser restos de clientes de há largos meses. Era picante não sei se por tempero se por estar estragado mas passadas duas horas, já chegado ao Lodge da selva onde tinha deixado dois dos meus sacos a caminho do Butão, estava com uma intoxicação alimentar. Felizmente não cheguei a vomitar, dormi bem e no dia seguinte estava um pouco melhor.
Para piorar a situação ao chegar ao Lodge fui picado no pescoço por uma abelha de um grupo que tinham montado ninho na recepção. Consegui tirar o ferrão mas hoje está um pouco inchado.
Arranquei às dez da manhã por uma boa estrada, alcatroada há pouco tempo, através da floresta rumo a sul, a caminho do Bangladesh. Tinha percorrido pouco mais de três quilómetros e rodava a 110, 120 Km/h quando por pouco não atropelei um trabalhador das obras que atravessou a estrada sem me ver aproximar.
Passados uns quilómetros apanhei um “speed bump” à entrada de uma ponte, dos que por aqui têm sem aviso. Só o vi muito perto e nesses casos não podemos travar forte para não passar o peso da moto todo para a roda da frente. Limitei-me a pôr-me de pé e agarrar bem o volante. Senti a suspensão da frente bater no fundo e a moto foi uns dois ou três metros pelo ar. Muita pancada tem levado esta “Cross Tourer”.
Não tinha percorrido cem quilómetros quando, depois de ter parado para tirar uma fotografia a um grupo de macacos que atravessava a estrada, vi um letreiro a anunciar “Buxa Tiger Reserve Lodge”. Seria desta que conseguia ver um Tigre no seu habitat?
Entrei pelo desvio mas, como todas estas Lodge de floresta na Índia, o local tinha um aspecto entre o abandonado e o mal tratado e acabei por me instalar num Hotel na aldeia com melhor aspecto e tentar marcar um Safari. Depois de falar com várias pessoas que me enviaram de um lado para o outro ainda não consegui nada. Amanhã vou fazer uma ultima tentativa antes de arrancar para a fronteira com o Bangladesh, a menos de 100 Km de distancia.

30 de setembro de 2013

Thimphoo





Hoje tive uma conversa extraordinária com um “Great Lama”.
Saí de manhã para visitar o museu da cidade em Paro, antes de partir para a capital.
É um museu que mostra não só imagens dos Buda e caraças que a população usa nos festivais e que representam as várias personagens em que o segundo Buda se transformava para afastar os demónios, mas também a rica fauna do país enquanto através de várias frases e textos nos dão uma pequena introdução ao seu conceito de felicidade.
Com a ideia de preservarem a fauna os habitantes do Butão não matam animais de qualquer espécie. É proibido caçar e pescar no país e nem as galinhas que têm em casa para fornecerem ovos eles matam. No entanto, a sua religião permite que comam todo o tipo de carne ou peixe, desde vaca a porco passando pelas cabras. Só que, toda esta carne consumida no país é …. importada da Índia. A carne de vaca por exemplo, que os Indhus não comem, vem de talhos na Índia pertencentes a muçulmanos.
Quando acabei a visita ao museu, acompanhado pelo guia que tinha ido ter comigo na tarde anterior a esta cidade, pedi à secretária para falar com o diretor, por ter visto um cartaz a dizer que ele fazia uns colóquios.
Passado um minuto desceu do andar de cima um “Great Lama”, acompanhado de dois monges. O homem  tinha uma presença forte mas um ar simpático e perguntou-me o que pretendia dele, como quem não quer perder tempo com curiosos, o que achei que não coincidia com a ideia que tinha destes “Great Lama” para quem o tempo parece não existir. Disse-lhe que gostava que me falasse deste conceito de felicidade que reis e monges tanto apregoam e como podem medir o valor de felicidade de cada individuo.
Perguntou-me o meu nome e só então me deu um aperto de mão. Mas não foi um aperto de mão qualquer. Ele apertou-me a mão direita e colocou a esquerda por cima da minha mão que apertava a dele ficando assim uns largos segundos. Confesso que me afectou. Parecia que me transmitia uma energia especial. Nunca me tinham dado um aperto de mão assim. Depois tivemos uma longa conversa em que me falou sobre as formas como mediam o nível de felicidade de cada pessoa mas também de uma viagem que fez recentemente a Roma para uma reunião com o Papa, tendo aproveitado para visitar vários outros países europeus.
“As pessoas não vivem felizes, na Europa. Sente-se uma tensão dentro delas que as torna amargas”.
Só então lhe falei da minha viagem de moto e ficou fascinado.
“Penso que é a primeira moto que vem ao Butão”, disse.
Passada uma longa conversa em que concordei com alguns dos seus conceitos para obtenção da paz de espírito que eu tinha sentido na população, disse-me que eu não devia dizer que era um turista mas sim um “nekor” ou seja um viajante entre os locais de culto espalhados pelo mundo e que deveria ajudar a divulgar o Budismo. Disse-lhe que seria impossível por eu ser ateu e fez um ar triste. “Esse é o principal problema da Europa. As pessoas não têm fé”. Disse-lhe que não, que a maioria da população europeia acreditava em Deus.
Disse-lhe que era uma pessoa feliz e ele respondeu “eu sei” com uma certeza de quem me conhecia há trinta anos e não há trinta minutos.
Por fim pediu-me que fosse buscar a moto ao parque e a trouxesse até à porta do museu, uma situação inédita naquele local tão restrito. O seu secretário deu indicações aos guardas e lá vim eu com a moto até cá acima. Tirou-me então ele próprio uma fotografia e pediu aos empregados do museu para se reunirem à volta da moto para tirarem outras fotografias.
“Veja como é lindo este país”, dizia-me ele a olhar para a fantástica vista do alto da entrada do museu. “Com esta natureza preservada nós somos dos principais contribuintes para o oxigénio no mundo”.
Despediu-se entregando-me um cartão com o seu e mail e telemóvel e a promessa de um dia nos voltarmos a ver.
Só por este encontro valeu a minha ida ao Butão.
Parti então para a capital, Thimphoo, que fica a apenas 40 Km através da melhor estrada do Butão, desenrolada entre dois vales, sem buracos e com curvas longas e de vários raios e muitas curvas e contra curvas com lombas pelo meio. É um gozo. Para a aproveitar em pleno pedi ao meu guia que levasse as minhas malas no carro, aliviando o peso da moto, e combinei ir mais depressa e encontrarmo-nos no Hotel.
Thimphoo é uma pequena cidade talvez equivalente a Setúbal em tamanho mas sem prédios altos, uma arquitetura bem enquadrada na paisagem, com uma população que não serão mais de 150.000. Os sinais luminosos são substituídos por sinaleiros, de gestos estudados e elegantes mas não há mais de dois cruzamentos que os necessitem. Não há filas de transito seja à hora que for mas algumas estradas fora do centro estão em mau estado. Visitei um templo mandado construir pela rainha mãe quando o terceiro Rei morreu, por doença, com pouco mais de 40 anos e uma enorme estátua de Buda, com mais de 40 metros, que o atual rei mandou edificar no alto de uma montanha com vista sobre a cidade. Uma espécie de Cristo Rei deles mas mais imponente, pintado em dourado e projetado e edificado por japoneses.