25 de outubro de 2012

25 Outubro


Saí de Dubrovnik pelas dez da manhã a caminho de Montenegro. É um país pequeno, com uma área de cerca de 1/6 de Portugal continental, com uma paisagem muito parecida com a da Croácia mas mais mal tratado. Como curiosidade refira-se que embora ainda não pertençam à Comunidade Europeia, a moeda deles é o Euro. Quando uns a estão a perder outros ganham-na antes de tempo.

Logo na entrada de Monte Negro, junto à fronteira, apanhei a estrada em reparação, tendo que fazer quatro ou cinco quilómetros não em estrada de terra normal, que isso não seria problema, mas numa estrada de pedra solta. A direcção da Cross Tourer não parava quieta e tive que segurar o guiador com força e ir sempre em aceleração para a conseguir aguentar. Ainda não foi desta que fui ao charco mas cheguei à conclusão que em Africa vou mesmo ter que montar pneus de cross ou mistos porque com o peso que a moto leva é muito difícil de domar em estradas deste tipo.

Parei para almoçar em Koper, uma cidade medieval que não tem nada a ver com Dubrovnik mas é a mais emblemática de Monte Negro. O que tem graça é que os navios de passageiros atracam mesmo às portas da cidade. O "windsurf" que se vê na imagem, estava ontem na Croácia e tem a curiosidade de ser um navio de milhares de passageiros mas com velas, daí o seu nome.

Depois de almoço apanhei uma estrada de montanha, a caminho da Albania, com muitas ratoeiras. Desde pedras soltas no meio da estrada que caíam da escarpa até metade da estrada que tinha caído e estavam a reparar para além de curvas humidas a meio, onde havia sombras, e grandes rachas no alcatrão, com desniveis acentuados.

A Albania é um país mais pobre embora seja dos poucos na Europa em que a economia continua a crescer. Têm gaz e algum petróleo. A paisagem natural é bonita mas a construção é uma lástima. Os arredores de Tirana fazem lembrar as capitais africanas mais degradadas e o transito é difícil, agravado pelo facto das scooters circularem tanto na sua faixa como em sentido contrário a grande velocidade, conforme lhes apetece, Confesso que cheguei cansado a Tirana, onde estou agora. Amanhã sigo rumo a Sul e à Grécia.



24 de outubro de 2012

24 Outubro - Amazing Dubrovnik


Ontem cheguei já ao final da tarde a Trebinje, na Bósnia Herzgovina e hoje arranquei, pelas onze da manhã, com intenções de atravessar Montenegro e até possívelmente toda a Albania e ir ficar à Grécia. Só que, com um pequeno desvio, decidi passar em Dubrovnik, no extremo Sul da Croácia. Quando ainda vinha na Bósnia e avistei, do alto do Planalto, a baía de Dubrovnik fiquei maravilhado. A má fotografia que tirei não dá a entender a grandiosidade da paisagem, com o vale lá em baixo e o mar ao fundo, com as ilhas. "breathtaking".

Parei à entrada das muralhas e quando vi uma esplanada com óptimo aspecto e vista sobre o castelo e o mar fiquei a almoçar, mesmo se ainda era meio dia.

Depois, entrei na cidade velha de Dubrovnik e fiquei fascinado. Decidi ficar por ali e assim hoje percorri a fantástica quilometragem de .... 30 Km.

A cidade medieval, dentro das muralhas é linda e tem uma vida fantástica, com restaurantes bem arranjados nas praças e um pequeno porto de onde partem barcos a fazer visitas à ilha próxima. No verão têm concertos de musica clássica e balets ao ar livre. Muito civilizado.

Dubrovnik
Visitei a cidade, esta sim cheia de turistas de todas as nacionalidades, bebi um copo num bar/restaurante da praça principal e da parte da tarde fui dar um passeio de barco.

É daquelas cidades em que pensamos: "era capaz de viver aqui".

Amanhã arranco rumo ao Sul, com passagem por Montenegro e Albania. Já me preveni com mais umas bananas e até um pacote de arroz não vá o diabo tecelas e não encontrar onde comer qualquer coisa.


23 de outubro de 2012

23 Outubro


Hoje saí de Vodice pelas 11 com mais um dia de verão. Na noite anterior tinha estado num simpático bar, junto à Marina, até à meia noite, à conversa com as empregadas, pois era o único cliente e na brincadeira do "face book".

Desci primeiro junto à costa Croata que é fantástica nesta zona, salpicada por largas dezenas de ilhas, a maior parte delas desabitadas. Potencialidades extraordinárias de exploração turistica ainda nos primeiros passos. Mas as dezenas de Marinas desta costa já estão cheias de barcos.

Um pouco abaixo de Split rumei ao interior a caminho da Bósnia e o cenário muda radicalmente. A Bósnia é nitidamente mais pobre e embora tenha partes montanhosas magnificas toda a construção é horrivel e a maioria das cidades e vilas muito pouco atractivas. Há pouco transito nas estradas que, para meu espanto, até estão em bom estado de um modo geral. Não se vê um unico estrangeiro e voltei a fazer dezenas de quilómetros a cruzar-me apenas com dois ou três carros. Antes de sair da Croácia tinha parado num mercado de rua onde comprei duas bananas e três laranjas. Como previa acabaram por ser o meu almoço porque não encontrei nenhum restaurante onde pudesse comer alguma coisa. Pelas cinco da tarde, como de costume, comecei a procurar sítio onde ficar mas em cada vila ou pequena cidade onde parava diziam-me sempre que não havia nem hoteis nem quartos para alugar. E percebe-se. Alugar a quem?

Continuei rumo a sul e embora evite andar ao fim de tarde, porque complica mais a vida se tiver algum problema, os ultimos 70 Km de uma estrada sinuosa mas de curvas rápidas deram-me imenso gozo.

Finalmente cheguei a Trebinje, no sul, onde, para meu espanto, fui encontrar um Hotel óptimo por um preço de quarto alugado.

Amanhã sigo para a Albânia que deve ser outro filme do mesmo género.

Neste momento já ultrapassei os 5500 Km desde que saí de Lisboa, incluindo os 700 Km que fiz na semana em que estive em Barcelona.

22 de outubro de 2012

22 Outubro


Ontem à noite fiquei num quarto alugado junto às quedas de água de Plitvice, na Croácia e hoje de manhã fui fazer a visita a pé e de barco durante mais de três horas. Não têm a espectacularidade das de Iguaçu ou as Victória mas são Património da Unesco e com os seus lagos são natureza no seu estado puro. Uma beleza.
Parque natural de Plitvice, Croácia


Os Croatas daquela zona interior é que têm um aspecto sinistro. Perto da fronteira com a Bósnia vê-se na cara deles, nas expressões, que ainda estão traumatizados pela guerra recente. Os homens são todos enormes e trombudos e a unica pessoa que vi rir foi a menina do café onde tomei o pequeno almoço. As sandwiches tinham péssimo aspecto e pedi-lhe se me aquecia uma "apple pie" que parecia melhor. Pô-la em cima do balcão e disse: "Não. É fria". Pedi-lhe então para a aquecer no microondas que estava mesmo à nossa frente. Ela atirou com a tarte lá para dentro e desatou a disparatar em Croata. Nessa altura disse-lhe: Não se irrite assim que fica velha num instante. E foi quando a vi rir.

Pela uma da tarde arranquei, ainda pelo interior, numa estrada boa num enorme planalto. Ali não há turistas e em pouco menos de cem quilometros não passei por mais de quatro ou cinco carros. Os poucos restaurantes de estrada estavam fechados mas acabei por encontrar um para almoçar cheio de homens trombudos mas em que a mulher do restaurante até era simpática. A seguir desci do planalto a caminho do mar onde o ambiente é completamente diferente. Aqui vivem do turismo, não andaram na guerra e têm cara mais alegre.

Estou numa vila chamada Vodice e amanhã sigo um bocado pela costa e depois rumo novamente ao interior a caminho da Bosnia.

21 de outubro de 2012

21 Outubro "Fabulous riding"


Hoje foi mais um dia fantástico for "pure riding pleasure". Ontem fiquei numa vila ainda na Eslovénia mas já perto da fronteira com a Croácia. O Hostel devia ter sido a casa do dirigente do partido comunista da altura porque era a melhor casa da vila. Na grade do jardim tinha um letreiro a dizer "bikers welcome" o que é logo um atractivo. Quando parei a moto no páteo apareceram o gerente e o patrão. Perguntei o preço do quarto ao primeiro, que falava inglês e quando o patrão me viu fazer uma careta disse-lhe qualquer coisa em esloveno e o valor sofreu logo uma redução de 25%. Gostei da atitude e fiquei. O quarto era fantástico, para variar da noite anterior.

De manhã estava nevoeiro mas quando arranquei, já perto das onze, estava mais um dia de sol. Tenho tido sorte com o tempo porque depois daquela grande chuvada em St. Tropez apanhei sempre bom tempo. Hoje diziam-me que aqui esteve a chover nas duas ultimas semanas de Setembro e na primeira de Outubro e agora ... este sol. Arranquei por mais uma estrada de montanha fabulosa, com paisagens fantásticas pelo meio da floresta mas acabei por não tirar grandes fotografias. Entrei na Croácia e mantive-me no interior, pela parte montanhosa mas perdi-me do trajecto que tinha previsto na véspera e fui parar a uma estrada de montanha estreita em que não vi um carro durante dezenas de quilómetros. Foi uma sensação boa. Parecia que a estrada tinha sido feita só para mim. De vez em quando entusiasmava-me e acelerava mais do que devia e logo, logo, reprogramava o software pessoal e baixava de velocidade, até porque de vez em quando aparecia uma curva com humidade e escorregadia. Por volta das três da tarde rumei à costa mas quando estava junto a uma marina a trincar o meio bife que não comi ao jantar e pedi para embrulhar, apareceram três motards italianos simpáticos que quando perguntaram para onde eu ia quiseram logo tirar fotografias comigo e indicaram-me um lago com cascatas no interior que é património da Unesco e para onde arranquei da parte da tarde. Fiz cem quilometros outra vez montanha dentro, apanhei umas vacas perdidas no meio da estrada com as correntes que as prendiam atadas ao pescoço, felizmente a meio de uma recta e aqui estou em Plitvicki Ljeskovac. Aluguei um quarto por perto e amanhã vou visitar as famosas cascatas.

20 de outubro de 2012

20 Outubro


Ontem cheguei a Koper, na Eslovénia ao final da tarde e fui para o wi fi de um café procurar o quarto mais barato que encontrásse na cidade. O do dia anterior em Vicenza não era de luxo mas era grande e tinha uma vista espectacular. O que me calhou em Koper mal tinha espaço para a mala ao lado da cama e a vista da janela era nada mais que a escada interior de acesso ao andar de cima. Não me queixo. Sei que vai haver alturas em que vou ter saudades desse quarto, mesmo com os mosquitos que me sugaram o sangue a noite toda.

A Eslovénia tem pouco mais de 20.000 Km2, ou seja tem uma área de menos de um quarto da de Portugal e uma população de pouco mais de dois milhões. Fazia parte da antiga Jugoslávia e desde 2004 é um dos países da comunidade europeia, com euro e tudo. É um país com uma beleza natural fantástica e o ideal para andar de moto. Metade da área do país é floresta. A população vive da agricultura e alguma industria metalo mecanica (fornecem peças para os fabricantes automóveis da europa central, que estão perto). Não parece haver pobreza nem muita riqueza. Vivem bem e a economia tem crescido todos os anos. Uma das vantagens é não terem metade da população a trabalhar para o estado, como é o nosso caso.

Hoje fui pela manhã a uma lavandaria que tinha visto ontem à noite, tratar de lavar roupa e depois arranquei para Lubiana, a capital. A estrada de montanha é fantástica e muitas motos aproveitam aquelas estradas. Eram ás dezenas em ambos os sentidos, muitas delas vindas de Itália e Austria. De todas as marcas e a circularem a todas as velocidades. Desde os pachorrentos das Harleys aos aceleras das R1, havia de tudo. A polícia chateia pouco mas passa-se tudo muito civilizadamente. Na capital não ouvi uma buzina. Lubiana conserva o ar austero dos tempos do comunismo e não tem grande graça como cidade. Almocei numa esplanada junto ao rio e à tarde arranquei a caminho da Croácia, mais uma vez por uma estrada fantástica através da floresta. Abanquei em Kodevge.

19 de outubro de 2012

19 Outubro


Hoje acordei cedo e decidi fazer turismo pela parte antiga da cidade de Vicenza. 
Ali só se pode andar a pé ou de bicicleta. Visitei o Teatro Olimpico, o Palazzo Chiericati, e dei uma volta a pé pelo centro. 
Por volta das onze, com um sol fantástico, arranquei e fui almoçar à marina de Trieste na costa do Adriático. 
Da parte da tarde fui até à cidade costeira de Koper, já na Eslovénia.